O mercado de data center de larga escala, os chamados “hyperscales”, para serviços de computação em nuvem e inteligência artificial (IA) ganha um novo competidor na América Latina.
A Terranova, empresa do fundo de investimentos Actis, que pertence ao americano General Atlantic, oficializa sua operação nesta terça-feira (2) com um investimento programado de US$ 1,5 bilhão, em três anos.
Além do Brasil, o foco está nos mercados do Chile e do México, os três principais mercados para grandes data centers na América Latina.
A entrada no setor foi estudada ao logo de 2025, conta o presidente da Terranova, José Eduardo Quintella, ao Valor. “Estamos fazendo um trabalho de garantir terrenos e energia nestas localidades”, informa Quintella.
No início de 2026, a Terranova inaugura seu primeiro data center em San Miguel de Allende, na região de Querétaro, no México. O projeto conta com capacidade total de 8 megawatts (MW) e investimento total de cerca de US$ 90 milhões.
A Terranova ainda negocia um terreno no Chile e um segundo terreno no México, “em estágios bem avançados”, diz o CEO.
No Brasil, a empresa possui dois projetos de data centers no interior e no litoral do Estado de São Paulo. O projeto mais adiantado, em Campinas, tem inauguração prevista para 2027. O complexo ocupará um terreno de 1 milhão de metros quadrados, o equivalente a 100 campos de futebol, e tem um pedido de fornecimento de energia de 300 MW em andamento junto O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para o projeto em Praia Grande, que será instalado em uma área de 500 mil metros quadrados próxima a um cabo submarino, foi realizada uma solicitação de 450 MW junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), anterior à ONS.
O foco da nova empresa está em grandes empresas de tecnologia como as americanas Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle, e as chinesas Alibaba, Tencent, Bytedance e Huawei.
A briga é de pesos pesados. A Terranova entra em um mercado para concorrer com hyperscales já estabelecidos no país como Ascenty, Scala, Odata, Equinix e Elea, entre outros.
A Actis notou a demanda por centros de dados de grande escala no mercado latino-americano em 2023, quando fundou a Nexstream, companhia de data centers que atende empresas com capacidades menores de diversos segmentos no Brasil, Chile, México, Peru e Argentina.
A experiência da Actis como investidora de data centers desde 2016, com operações na Ásia e na África, bem como sua presença no mercado de energia renovável na América Latina são pontos a favor da estreante, defende o sócio da Actis, Mauricio Giusti, ao Valor. “Essa experiência nos ajuda muito a aportar alternativas energéticas para a mesa, o que o mercado valoriza bastante”, afirma.
Em 2022, o fundo comprou uma participação na brasileira Serena Energia (antiga Omega Energia), geradora de energia solar e eólica com operações no Brasil e no Texas (EUA). Além disso, adquiriu 90% de uma linha de transmissão da portuguesa EDP, em Santa Catarina, por R$ 2,37 bilhões, em dezembro do ano passado.
A entrada em vigor do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) é “um acelerador competitivo” para o Brasil, avalia o sócio da Actis. O regime prevê isenção de impostos como PIS, Cofins e Imposto de Importação para equipamentos voltados a centros de dados sem similar nacional a partir de 2026. Mas ainda não virou lei.
Fonte: Valor Econômico
