Em uma postagem na plataforma Truth Social, Trump anunciou que a nova tarifa entraria em vigor imediatamente, mas não deu detalhes sobre o escopo da medida. A Casa Branca também não divulgou qualquer decreto sobre o assunto ou informações sobre a base legal usada pelo presidente americano para impor a sobretaxa aos produtos importados pelos EUA de países que negociam com o Irã.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa sobre todo e qualquer negócio realizado com os Estados Unidos da América”, escreveu Trump nas redes sociais. “Esta ordem é final e conclusiva.”
Países como China, Índia, Turquia e Paquistão estão entre os maiores parceiros comerciais do Irã. Embora as sanções internacionais ao país por causa de seu programa nuclear tenham afastado alguns governos de Teerã, mais de 100 países fizeram negócios com os iranianos no primeiro semestre de 2025, segundo dados do Trade Monitor Data, que coleta informações comerciais. O Brasil, por exemplo, exportou cerca US$ 3 bilhões para o Irã em 2024, em produtos como grãos e oleaginosas, segundo fontes do mercado.
A embaixada da China em Washington criticou a abordagem de Trump, afirmando que Pequim tomará “todas as medidas necessárias” para salvaguardar seus interesses. O país também se opôs a “quaisquer sanções unilaterais ilícitas e à jurisdição extraterritorial”.
“A posição da China contra a imposição indiscriminada de tarifas e consistente e clara. Guerras tarifárias e comerciais não têm vencedores, e coerção e pressão não resolvem problemas”, afirmou um porta-voz da embaixada chinesa nos EUA em uma postagem no X.
Japão e Coreia do Sul, que fecharam recentemente acordos comerciais com os EUA, afirmaram que estão monitorando de perto a situação e que esperam esclarecimentos da Casa Branca.
“Planejamos adotar quaisquer medidas necessárias assim que as ações específicas do governo dos EUA se tornarem claras”, afirmou o Ministério do Comércio da Coreia do Sul em comunicado.
O vice-chefe de Gabinete do Japão, Masanao Ozaki, afirmou a jornalistas que “examinará cuidadosamente” o conteúdo específico de quaisquer medidas dos EUA, assim como seu impacto comercial, para responder “de forma apropriada”.
As novas tarifas de Trump representam mais um instrumento de pressão econômica sobre o regime iraniano, que tenta conter a onda de protestos que eclodiu no país no final do ano passado. As manifestações decorrem originalmente do agravamento da crise econômica do país, com forte desvalorização da moeda local (rial) e uma taxa anual de inflação que superou 40% em dezembro.
Trump afirmou que os EUA poderão se reunir com autoridades iranianas e que mantém contato com a oposição ao regime de Teerã, ao mesmo tempo em que não descartou uma intervenção militar no país após a violenta repressão às manifestações. O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou ter confirmado a morte de 599 pessoas – 510 manifestantes e 89 integrantes das forças de segurança – desde o início dos protestos.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou ontem que, embora ataques aéreos sejam uma das várias alternativas apresentadas a Trump, a “diplomacia é sempre a primeira opção para o presidente”.
Ao longo de seu segundo mandato, Trump tem frequentemente ameaçado e imposto tarifas a outros países por seus vínculos com adversários dos Estados Unidos e por políticas comerciais que ele classificou como injustas para Washington.
A nova sobretaxa foi anunciada enquanto a Casa Branca espera uma decisão da Suprema Corte dos EUA sobre um amplo processo contra as tarifas impostas por Trump no “Dia da Libertação”. Há a expectativa que os juízes revoguem, ao menos parcialmente, as políticas comerciais do governo americano no veredicto, que deve divulgado nas próximas semanas.
Fonte: Valor Econômico


