Por Ryan Dubé — Dow Jones Newswires
05/02/2024 05h01 Atualizado há 4 horas
O presidente argentino, Javier Milei, enfrenta amanhã novo teste na Câmara. Após aprovação na sexta-feira das linhas gerais de sua reforma econômica, a lei agora volta ao Legislativo para votação artigo por artigo.
Mas o projeto de lei apresentava originalmente 664 artigos, incluindo um pacote fiscal destinado a equilibrar o orçamento e controlar a inflação mais alta do mundo. A versão aprovada na sexta-feira tinha cerca de metade disso.
O fracasso de Milei em obter aprovação para medidas para arrecadar dinheiro no projeto de lei geral, que incluía uma anistia fiscal e aumentos temporários nos impostos de exportação, levanta questões sobre a capacidade do governo de estabilizar a economia, dizem economistas. O presidente está sob pressão para demonstrar melhora na economia para manter o apoio popular e evitar a agitação social, afirmam os analistas.
“O pacote fiscal era a medida mais importante e foi a primeira vítima”, disse Eduardo Levy Yeyati, ex-economista-chefe do banco central. “Sem isso, a estabilização corre risco; e sem estabilização o governo perderá apoio político”.
Ainda assim, Milei celebrou a aprovação do projeto de lei após três dias de negociações na Câmara, onde o seu partido La Libertad Avanza tem apenas 15% das cadeiras. Ele atacou os oponentes do projeto de lei, dizendo que eles estavam virando as costas à liberdade e se aliando ao que ele chama de classe política corrupta. O Senado precisa aprovar a legislação.
“O único caminho viável para o nosso país é a liberdade, o trabalho e a ordem”, disse Milei.
Facundo Manes, legislador do partido centrista União Cívica Radical, votou contra a legislação. “A liberdade que ele proclama é uma falsa liberdade”, disse ele, “uma liberdade sem fraternidade ou igualdade; é uma liberdade nascida do fanatismo”.
Enfrentando a oposição da maioria na Câmara e ativistas de esquerda nas ruas, o governo concordou em reduzir o número de estatais que privatizaria, incluindo a empresa petrolífera YPF.
“Este não é o tipo de plano revolucionário que o governo tinha originalmente em mente”, disse Sergio Berensztein, analista político em Buenos Aires.
O apoio a Milei continua alto, mas diminuiu. Em janeiro, ele tinha 58% de apoio, uma queda de 9 pontos percentuais em relação a dezembro, segundo a consultoria Poliarquia, de Buenos Aires.
Fonte: Valor Econômico

