5 Feb 2024 WESLEY GONSALVES
A Arezzo & Co e o Grupo Soma selaram o acordo para formar uma gigante do varejo de moda, que vai juntar os negócios das duas companhias em uma holding cujas sinergias, estima-se, podem chegar a R$ 4,5 bilhões. O negócio foi fechado ontem.
Pessoas próximas às negociações ouvidas pelo Estadão, com a condição de anonimato, disseram que após fechar o negócio, os dirigentes das duas empresas decidiram que irão anunciar oficialmente a fusão na manhã desta segunda-feira, antes da início das negociações de suas ações na Bolsa de Valores.
Concluída a fusão, a nova companhia terá um portfólio de com 22 marcas. Do lado da Arezzo, estão grifes como Vans, Reserva e Baw. Pelo Grupo Soma, Farm, Animale e Hering, entre outras. A expectativa é de que os controladores das duas empresas divulguem comunicado conjunto detalhando a composição acionária da nova companhia, que já nasce com faturamento de cerca de R$ 11,8 bilhões, disputando a liderança do segmento com a Renner, cujas receitas estimadas somam R$ 11,7 bilhões – as empresas ainda não divulgaram os balanços do quarto trimestre de 2023.
Esta é a segunda vez que os dois grupos negociam um acordo de fusão das operações. As conversas sobre a união das marcas começaram em 2021, mas perderam tração com o passar do tempo, conforme interlocutores do mercado financeiro. Nas últimas semanas, as conversas voltaram a ganhar força, em parte, por iniciativa da Arezzo, segundo pessoas ligadas aos negócios.
GOVERNANÇA. Em meio aos novos rumores sobre uma fusão, na semana passada o Grupo Soma confirmou, em um comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que estava em conversas com a concorrente. Segundo o documento, a associação pode se dar “mediante a junção de suas operações e bases acionárias, envolvendo as ações das respectivas companhias e a governança compartilhada do negócio combinado”.
A Arezzo também emitiu comunicado, esclarecendo: “A companhia está em entendimentos com o Grupo Soma em que ambos avaliam uma possível associação que poderá envolver a unificação das bases acionárias em uma única companhia com governança compartilhada.”
A possibilidade de união dos dois negócios foi bem recebida pelo mercado financeiro. As ações do Soma subiram mais de 16%, e as da Arezzo, mais de 12%, na semana passada. Na avaliação do professor de varejo da FGV, Ulysses Reis, a decisão de unir os dois grupos é um reflexo de fatores como as dificuldades do setor de moda, queda no valor de mercado das empresas separadamente e também à entrada no mercado de negócios como as gigantes asiáticas do e-commerce.
A fusão da Arezzo com a Soma, diz Reis, segue o roteiro de grandes grupos de moda no exterior, que uniram forças para fortalecer os negócios. Buscar sinergias entre marcas voltadas a públicos tão diferentes, ou que competem entre si, porém, vai exigir atenção dos executivos. “Eles precisarão avaliar bem o catálogo de marcas dos dois grupos. Juntar dois negócios deste tamanho não é algo simples.”
Fonte: O Estado de S. Paulo