27 Apr 2022 ANDRÉ JANKAVSKI MATHEUS PIOVESANA
No primeiro trimestre com o executivo Mario Leão como presidente, o Santander Brasil voltou a ser a operação mais lucrativa do conglomerado espanhol no mundo inteiro. Mas isso não foi o suficiente para animar os investidores e analistas, e as ações da empresa caíram 4,55% ontem, fechando o pregão negociadas a R$ 32,10.
Entre janeiro e março, o banco teve um lucro de R$ 4 bilhões, alta de 1,3% ante o mesmo período de 2021. Na comparação com o quarto trimestre do ano passado, o crescimento foi de 3,2%. Com isso, a filial brasileira do banco teve lucro de € 627 milhões, segundo o informe de resultados consolidado. O Santander americano, o segundo maior, ganhou de € 583 milhões. A retomada da liderança está ligada à valorização do real frente ao euro e ao dólar, na comparação com as cotações de 2021.
A visão negativa de analistas está ligada especialmente ao aumento do custo de crédito do Santander, que, no primeiro trimestre, foi de 3,5%, ante 2,6% um ano antes. O índice de inadimplência superior a 90 dias, por sua vez, subiu 0,9 ponto porcentual no mesmo período, para 4,4%.
Segundo os analistas Leo Monteiro e Petro Dietrich, da Ativa Investimentos, os resultados futuros do banco devem continuar vindo abaixo dos apresentados pelos concorrentes, já que a instituição tem uma carteira de crédito mais arrojada e um nível de provisionamento mais baixo. Isso pode complicar os resultados em um momento em que a taxa básica de juros se aproxima dos 12% ao ano. “Diante de um cenário macro ainda muito instável para 2022, preferimos optar por concorrentes mais conservadoras”, disseram.
Porém, tanto Leão quanto o vice-presidente financeiro do Santander Brasil, Angel Santodomingo, dizem que a trajetória da inadimplência do banco está estável há alguns meses. Ou seja, não haverá explosão do número de atrasos, mas ainda há dúvidas sobre quando virá o momento de inflexão e as taxas começarem a cair.
Santodomingo disse que o banco começou a detectar “as diferentes variáveis” que exigiam maior atenção, em termos de qualidade de ativos, já no segundo semestre de 2021. Por isso, o Santander reduziu o crescimento da concessão de crédito em alguns segmentos. “As medidas que tomamos (contra a inadimplência) estão se mostrando suficientes”, comentou o executivo.
CONSUMO. Para os próximos meses, Leão quer intensificar o plano do banco espanhol de ser visto pelo mercado e principalmente pelos clientes como uma empresa de consumo. De acordo com o presidente, a meta é “ser a melhor empresa de consumo do mundo”, ampliando a quantidade de produtos e serviços para os clientes e fazendo transformações para as agências – que o executivo agora quer chamar de lojas.
“A mentalidade que queremos ter é ser menos banco e mais empresa. Ser uma empresa de consumo que tem lojas, canais de distribuição e cultura centralizada no cliente”, disse Leão, em conferência com jornalistas.
A ideia do Santander com esse novo tipo de diretriz é ampliar também o número de clientes fidelizados, que possuem mais de seis produtos contratados com a instituição. De acordo com o banco, a receita originada de um cliente desse tipo é 5,6 vezes maior do que a de um não vinculado ao banco. Atualmente, os 8,3 milhões consumidores considerados “vinculados” (termo utilizado internamente) representam 27% dos clientes ativos. •
Fonte: O Estado de S. Paulo
