A economista do Santander Brasil, Ana Paula Vescovi, afirmou que, embora diferentes fatores macroeconômicos estejam favorecendo o país atualmente, a situação fiscal permanece sendo a principal fragilidade. De acordo com ela, não basta estabilizar o déficit, já que o país precisaria de um superávit primário acima de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para estabilizar a dívida pública.
“O atual governo tem um plano de ajuste fiscal assentado na recuperação de receitas”, lembrou a jornalistas durante a conferência internacional do Santander, em Madri (Espanha). É necessário um aumento significativo de receita para que o déficit primário, estimado em 1% em 2023, comece a se estabilizar com o tempo, acrescentou.
Entre os fatores que têm atuado como suavizadores do atual ciclo de política monetária, Vescovi citou o alto nível das exportações, de investimentos estrangeiros diretos e das reservais internacionais, além do fato de 95% da dívida pública ser em reais.
A economista espera que a inflação siga em trajetória favorável até o fim de 2024. O Santander projeta IPCA acumulado de 4,6% em 2023 e 3,8% em 2024.
Isso deve permitir que o Banco Central (BC) siga o processo de redução da taxa básica de juros, embora o ritmo dependa da condução da política monetária nos EUA, completou. O Santander projeta Selic em 9,5% ao ano ao fim de 2024.
“Temos no cenário-base a manutenção das reformas, inclusive acreditamos que o Brasil vai aprovar a reforma tributária neste ano”, disse. “Será um ganho muito grande em termos de produtividade e que pode ajudar o PIB potencial.”
Ela citou ainda como fatores positivos a aprovação do novo marco de garantias e o mercado de carbono.
A estimativa para o PIB de 2023 fica “entre 2,5% e 3%”, afirmou. Para o próximo ano, é de 1%.
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— Foto: Carol Carquejeiro/Valor
Fonte: Valor Econômico