Por Agências Internacionais
06/05/2022 05h05 Atualizado há 3 horas
A atividade de serviços da China caiu para seu nível mais fraco em mais de dois anos em abril, com a continuidade dos surtos de covid-19 e dos lockdowns afetando os gastos do consumidor e ameaçar o crescimento econômico.
O índice de atividade de serviços da Caixin China, um indicador privado, caiu para 36,2 em abril, o menor desde fevereiro de 2020, segundo a Caixin e a S&P Global. O resultado ficou abaixo das expectativas dos analistas e marcou o segundo mês seguido abaixo de 50 – que indica contração.
A economia da China está sofrendo com uma série de restrições para conter o vírus, que se espalha rapidamente. Os dados de abril capturam o impacto do lockdown em Xangai, que deixou milhões de moradores confinados em suas casas por semanas.
“A nova rodada de surtos de covid-19 atingiu duramente o setor de serviços”, disse Wang Zhe, economista sênior do Caixin Insight Group, em comunicado. “Tanto o índice de atividade de serviços quanto a medida para novos negócios caíram para o menor desde fevereiro de 2020, com os surtos regionais de covid limitando tanto a oferta quanto a demanda.”
Os resultados da pesquisa privada ficaram em linha com o cenário pessimista apontado pelo índice oficial de atividade do setor de serviços, divulgado no fim de semana. Esse indicador também caiu para seu pior nível desde fevereiro de 2020, quando a China enfrentava o surto inicial de vírus em Wuhan. A pesquisa oficial rastreia empresas maiores e inclui o setor de construção, enquanto a pesquisa Caixin se concentra mais nas menores.
Para os economistas Harrington Zhang e Ting Lu, da Nomura, o índice de serviços da Caixin da China é mais uma evidência de que as atividades de serviços do país estão deprimidas, e uma rápida recuperação em maio é improvável.
“Apesar da queda no número de casos de covid, não vemos sinais de que essa onda de ômicron termine em breve, e Pequim continua bastante determinada a manter sua estratégia de covid-zero”, disseram eles em nota para clientes.
Em 3 de maio, um levantamento da Nomura mostrava que medidas restritivas de lockdown afetavam áreas que cobrem cerca de 31% do PIB total da China.
Depois de mais um indicador apontando deterioração da economia, a mídia estatal chinesa voltou a alimentar expectativas de que o governo poderá adotar novas medidas para revitalizar o crescimento. Ações para promover o investimento, reforçar as exportações e apoiar as empresas de plataformas de tecnologia estão todas na mesa, segundo a mídia estatal.
Os surtos de covid-19 continuam em maio, com os persistentes novos casos em Pequim levando as autoridades locais a isolar partes da capital e ordenar a realização de testes em massa.
Durante o recente feriado prolongado do Dia do Trabalho, que terminou ontem, os viajantes chineses fizeram 160 milhões de viagens, uma queda de mais de 30% em relação ao ano anterior e equivalente a 66,8% das viagens feitas durante o feriado em 2019, segundo o Ministério da Cultura e Turismo da China.
Fonte: Valor Econômico