EMS retira oferta e rival se desvaloriza R$ 1,3 bi na B3
PorBeth Koike
Sem a fusão proposta pela EMS, a Hypera terá de trabalhar daqui para frente para reduzir sua pesada dívida. Ontem, as ações da companhia despencaram 8,46%, negociadas a R$ 22, após a rival ter retirado formalmente a proposta para unir os ativos. Só no pregão de quinta-feira, a companhia perdeu R$ 1,3 bilhão em valor de mercado.
Às vésperas de receber a oferta hostil da EMS, a HyperaCotação de Hypera tinha anunciado ao mercado uma reestruturação para reduzir um problema de alto estoque de medicamentos. As medidas de reorganização vão provocar queda de receita, lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) e lucro até 2026.
Há cerca de cinco anos, a HyperaCotação de Hypera já havia enfrentado o mesmo problema de estoque e adotou medidas semelhantes. Entre 2018 e 2019, o Ebitda caiu de R$ 1,2 bilhão para R$ 545 milhões e foi retornando nos anos seguintes. Em 2022, o indicador já era de R$ 2,3 bilhões. Porém, parte relevante desse incremento veio aquisições. Entre 2020 e 2022, a HyperaCotação de Hypera adquiriu o Buscopan, medicamentos da Takeda e da Sanofi que juntas acrescentaram R$ 522 milhões ao Ebitda da farma.
Hoje, o cenário é diferente, uma vez que não há muitas opções para aquisições e a HyperaCotação de Hypera está endividada. A companhia tem dívidas de R$ 8,2 bilhões (incluindo quase R$ 1 bilhão de dividendos) e alavancagem está na casa de três vezes o Ebitda. A perspectiva é desafiadora devido à taxa de juros elevada. O pagamento dos juros da dívida praticamente consome a geração de caixa. Segundo estimativas do mercado, a HyperaCotação de Hypera terá que pagar cerca de R$ 1,2 bilhão de juros, por ano. É uma quantia próxima ao ganho, estimado em R$ 1,5 bilhão, que a companhia pode capturar com a redução no prazo médio de recebimento dos atuais 116 para 60 dias no fim de 2025.
Segundo uma fonte do setor, o prazo médio de recebimento do setor gira em torno de dois meses, ou seja, metade do praticado da HyperaCotação de Hypera. “Eles pressionam o varejo para comprar mais produtos, mas em contrapartida as farmácias pedem mais prazo. Agora, para melhorar o fluxo de caixa, vão reduzir o prazo, mas é grande o risco da relação comercial se desgastar. Mesmo com marcas reconhecidas, são produtos facilmente substituíveis”, disse.
Com a reestruturação, a farma prevê incremento na geração de caixa operacional de R$ 2,5 bilhões até 2028 e de R$ 7,5 bilhões nos próximos dez anos para gerar maior flexibilidade financeira a fim de capturar oportunidades futuras de crescimento orgânico e inorgânico.
Farmacêutica já teve problemas de capital de giro, em 2019, e aquisições ajudaram retomada
Outro caminho aventado é uma fusão com outra farmacêutica. Porém, as opções são escassas. A Eurofarma, que chegou a conversar com a HyperaCotação de Hypera em 2022, hoje tem outros projetos. Segundo fontes, para a Eurofarma faria mais sentido ser diluída numa combinação com uma farma internacional.
Apesar da EMS ter retirado formalmente sua oferta, há chances de novos capítulos. A EMS destacou que “ainda que respeitemos a decisão do conselho de administração da HyperaCotação de Hypera, gostaríamos de ressaltar que continuamos convictos dos méritos significativos que uma combinação poderia trazer aos seus acionistas. Consideramos que uma análise mais profunda e engajamento mais ativo seriam benéficos, especialmente diante do potencial de criação de valor que a transação oferece à HyperaCotação de Hypera e a seus acionistas”.
A fusão iria diluir a fatia do fundador da HyperaCotação de Hypera, João Alves de Queiroz, o Junior, para menos de 10%, o que desagradou o empresário que, até semana passada, detinha 21,38%. Nesse cenário, EMS deu um xeque-mate a fim de avançar as conversas para criar uma farma com receita de R$ 16 bilhões.
Procurada, a HyperaCotação de Hypera informou que está impedida de se pronunciar por estar em período de silêncio. Mais recente Próxima Curta
Fonte: Valor Econômico