Por Marcus Walker — Dow Jones Newswires
03/10/2022 05h02 Atualizado há 4 horas
A gigante estatal russa Gazprom informou ontem que suspendeu o fornecimento de gás natural para a Itália nesse fim de semana, afirmando que não recebeu autorização para os fluxos nos gasodutos via Áustria.
Não ficou imediatamente claro se se trata de uma interrupção motivada por um problema burocrático temporário ou se a Itália agora faz parte da crescente lista de países da União Europeia (UE) que tiveram o fornecimento de gás russo cortado por Moscou.
As autoridades austríacas disseram que a Gazprom não assinou as mudanças nos contratos de fornecimento exigidas pelos ajustes regulatórios que são feitos todos os anos e que a estatal russa estava ciente disso havia meses. A Gazprom, o governo da Áustria e a empresa italiana de energia Eni disseram que estão trabalhando para encontrar uma solução.
Moscou e a UE estão em uma guerra econômica desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Os países da UE impuseram amplas sanções financeiras e comerciais à Rússia enquanto enviam armas, dinheiro e outros tipos de ajuda à Ucrânia. A Rússia cortou grande parte de seu fornecimento de gás à UE em uma tentativa de enfraquecer o compromisso político europeu de apoiar Kiev.
As eleições italianas há uma semana resultaram na vitória de uma coligação de direita que promete continuar com as sanções à Rússia e o apoio à Ucrânia, apesar da desconfiança de alguns partidos italianos quanto às consequências econômicas do confronto com Moscou.
Para a Itália, deixar de receber o gás de Moscou não seria um grande golpe. O produto russo caiu para menos de 10% do suprimento de gás da Itália, após os esforços da Eni e do governo italiano para garantir o aumento das importações de gás de outros fornecedores, incluindo Argélia, Noruega, Egito, Catar e Azerbaijão.
O fluxo de gás para a Itália excedeu a demanda de residências e empresas italianas nos últimos meses, o que ajudou o país a preencher 90% de seus estoques antes da chegada do inverno e a exportar gás excedente para outros países europeus. No entanto, o alto preço do gás em meio a uma corrida europeia para encher reservatórios e substituir o gás russo impõe um pesado fardo econômico à Itália e outros países da UE.
Analistas disseram que ainda não está claro se o gás poderá chegar à Itália por outra rota pela Suíça. Embora o gás vindo da Rússia não represente um grande impacto para o mercado italiano, se parar de fluir totalmente para a Europa, isso pode complicar ainda mais os esforços da UE para passar o inverno sem racionar combustível.
Com a região à beira da recessão, os ministros de Energia da UE concordaram na sexta-feira com um plano para reduzir a demanda de energia e taxar os lucros das empresas de petróleo e gás para ajudar a financiar os subsídios nas contas de consumidores e indústrias. Mas os países da UE não conseguiram concordar com um amplo teto de preço para o gás, pelo qual a Itália e outros pressionam.
Fonte: Valor Econômico