Por Nikkei Asia, Valor — Dubai
11/01/2023 00h55 Atualizado há 9 horas
A Rússia e o Irã estão trabalhando em uma nova rota comercial que evita a Europa e suas sanções, e procuram fazer parceria com a Índia, que manteve distância da campanha de isolamento liderada pelo Ocidente contra os dois países.
O plano é uma resposta à pressão liderada pelos Estados Unidos por “friendshoring”, um esforço para realocar cadeias de suprimentos para aliados e países amigos.
A construção está em andamento em 3.300 quilômetros de ferrovias em todo o Irã, e 560 km de novos trilhos devem ser abertos para operação em março, disse recentemente um alto funcionário iraniano. A conclusão de todos esses projetos expandiria a rede ferroviária do país em 20%.
Cerca de 6 mil quilômetros de rodovias também estão em construção, com 1 mil quilômetros previstos para terminar até março. Uma rodovia de quatro pistas ligando o Mar Cáspio e o Golfo Pérsico foi inaugurada em 2022.
O Irã busca alavancar seu potencial como um centro de transporte entre a Ásia, a Rússia e a Europa. Moscou, Nova Déli e Teerã assinaram um acordo em 2002 estabelecendo planos para o Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul, que conectaria a Índia e a Rússia através do Irã e do Azerbaijão, contornando o Canal de Suez.
Para a Rússia, o corredor forneceria um importante canal de exportação para o sul da Ásia sem a necessidade de passar pela Europa, que tem trabalhado para desvincular Moscou economicamente desde a invasão da Ucrânia.
Quando o presidente russo, Vladimir Putin, visitou o Irã em julho, ele e o líder iraniano, Ebrahim Raisi, concordaram com a necessidade de terminar a ligação ferroviária Rasht-Astara no norte do Irã, parte da rota proposta.
Isolados de grande parte do resto do mundo por causa das sanções ocidentais, a Rússia e o Irã têm construído laços econômicos mais estreitos entre si.
O Ministério do Petróleo do Irã disse em setembro que importaria 9 milhões de metros cúbicos de gás natural russo por dia através do Azerbaijão. A companhia nacional de petróleo do Irã e a gigante estatal de energia russa Gazprom assinaram um memorando de entendimento sobre cooperação energética no ano passado no valor de US$ 40 bilhões.
Uma questão-chave será conquistar Nova Déli, um player estrategicamente importante para o campo democrático nas relações com a Rússia e a China.
Um diplomata iraniano sênior visitou a Índia em novembro para discutir o desenvolvimento do porto de Chabahar, no sul do Irã, que conectaria a Índia com o restante do corredor.
Teerã e Moscou argumentam que a rota beneficiaria Nova Déli politicamente e economicamente. Isso abriria a possibilidade de mais comércio com a Ásia Central, rica em recursos, por meio do Irã, bem como o objetivo da Índia de desenvolver alternativas para a ligação entre a China e o porto paquistanês de Gwadar, ao qual Nova Déli se opõe.
A Índia não participou da campanha de sanções contra Moscou em resposta à invasão da Ucrânia, continuando a comprar petróleo russo. Também não se juntou aos países ocidentais na condenação da repressão do Irã aos protestos antigovernamentais.
Mas usar os dois países como rota comercial provavelmente será um desafio, já que eles estão isolados não apenas das cadeias de suprimentos globais, mas também das redes financeiras internacionais.
Fonte: Valor Econômico
