Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, compara o atual embate entre Estados Unidos e Irã pelo Estreito de Ormuz à crise do Canal de Suez, quando o Império Britânico perdeu o controle da via para os egípcios em 1956. Para o investidor, os EUA enfrentam agora um “teste clássico” de poder global equivalente àquele que a Grã-Bretanha não superou.
Washington tem ameaçado impor sanções a qualquer país que não faça adesão ao plano americano de forçar, por meio do isolamento econômico do Irã, a livre passagem de embarcações pelo estreito. Antes da guerra entre EUA, Israel e Irã, cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo passava pela via.
Segundo Dalio, que escreve em seu blog e redes sociais, as nações agora precisam escolher entre dois caminhos: aderir ao plano dos EUA, o que representaria um sucesso evidente para Washington caso a maioria dos países siga essa linha, ou desafiar as ameaças americanas e manter o estreito sob controle iraniano — o que configuraria um fracasso claro para os EUA.
O investidor destaca que China e Paquistão já sinalizaram que não vão aderir ao plano americano, o que, na sua leitura, tornará visível se os EUA de fato cumprirão as ameaças de sanções ou serão flagrados de blefe. Os Emirados Árabes Unidos, por outro lado, já indicaram apoio à posição de Washington. Outros países, ressalta, permanecem em silêncio ou mantêm ambiguidade, mas terão de definir posição nos próximos dias.
Dalio também chama atenção para uma visita não anunciada do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou em 25 de agosto, na qual se encontrou com sua contraparte de inteligência russa. O encontro teria dois objetivos principais: alertar Vladimir Putin para não agir contra aliados da Otan na Europa nem contra interesses americanos ligados ao Irã, e não escale de forma significativa a guerra na Ucrânia; e sondar a disposição da Rússia para um acordo que envolva simultaneamente as questões da Ucrânia e do Irã, com a China influenciando o processo nos bastidores.
Para Dalio, os episódios em curso são expressões de um fenômeno mais amplo, que é o conflito clássico entre grandes potências, movido por mudanças cíclicas nos poderes monetário, político doméstico, geopolítico e tecnológico dos principais atores globais, além da capacidade intelectual de cada um jogar bem as cartas que recebeu.
Fonte: Pipeline


