O investidor que acompanha as bolsas norte-americanas hoje e sente um frio na barriga com os preços esticados das ações pode estar ignorando o efeito ciclo. De olho nessa tese, o Goldman Sachs reafirmou a projeção para o S&P 500: chegar ao fim de 2026 em 7.600 pontos.
Se alcançado, o patamar representa uma alta de aproximadamente 10% em relação aos níveis atuais. Agora, o índice mais amplo da bolsa dos EUA está sendo negociado na casa de 6.900 pontos.
Mas como o banco justifica esse otimismo se as ações norte-americanas estão negociadas em níveis historicamente altos? A resposta está em uma queda de braço entre o “preço” e a “economia real”.
Ações: o ciclo versus o valuation
O Goldman Sachs reconhece que os valuations estão em patamares elevados, mesmo quando ajustadas para um cenário macroeconômico favorável.
De acordo com os modelos do banco, os ativos estão mais caros do que o histórico normalmente justificaria.
No entanto, a equipe de pesquisa acredita que o cenário cíclico positivo deve vencer essa queda de braço. Os principais pilares que sustentam essa tese são:
- Crescimento acima da tendência: o banco espera um crescimento forte do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026;
- Inflação em desaceleração: a expectativa é de continuidade no processo de desinflação, o que é historicamente positivo para ativos de risco.
- Aposta na produtividade: os economistas do banco preveem que o crescimento virá mais de ganhos de produtividade do que em ciclos anteriores.
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Otimismo ou bolha de IA?
Um dos grandes motores dessa “esticada” nos preços tem sido o entusiasmo com a inteligência artificial (IA). O Goldman Sachs aponta que o otimismo com a IA é um pilar fundamental dos retornos recentes e deve continuar a ser.
Contudo, fica o alerta: o mercado já precificou benefícios significativos da IA. Se os investidores estiverem antecipando lucros futuros que ainda vão demorar a aparecer nos balanços, as métricas de avaliação podem estar exagerando o quão caras as ações realmente estão.
Prepare-se para a volatilidade nas ações
O Goldman, no entanto, adverte que o fato de as ações estarem “sobrevalorizadas” em relação ao macro não impede que subam, mas torna as quedas mais dolorosas caso algo dê errado.
Em termos técnicos, o banco diz que o downside tail (o risco de uma queda brusca) é maior. Se os dados econômicos piorarem ou o risco de recessão voltar, o preço a ser pago pelos valuations elevados será alto.
A tensão entre preços caros e economia forte deve manter a volatilidade elevada ao longo do ano.
Dica para o investidor: proteção e opções
Diante desse cenário de sobe, mas balança, o Goldman sugere estratégias para capturar a alta limitando as perdas.
Uma das ideias é o uso de opções de compra (calls) de longo prazo para aproveitar o potencial de alta do S&P 500 enquanto se define um limite máximo para o prejuízo caso o mercado vire.
O banco também vê sentido em se posicionar para uma volatilidade maior no futuro, mesmo que o cenário base continue sendo de bonança econômica.
Fonte: Seu Dinheiro
