Por Valor — São Paulo
20/12/2022 13h36 Atualizado há 13 horas
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chamou a situação na Ucrânia de “extremamente complicada” em uma aparente tentativa de preparar a população da Rússia para uma prolongada guerra enquanto sua invasão se aproxima da marca de 10 meses.
Em um discurso para o serviço secreto do país, Putin admitiu que as forças russas enfrentam dificuldades nas regiões anexadas de Luhansk, Zaporizhzhia Kherson e Donetsk, após referendos organizados por Moscou em setembro.
Os comentários marcaram a segunda vez neste mês que o líder russo admitiu que a guerra na Ucrânia — que ele originalmente pensava que terminaria em menos de uma semana — deve durar muito tempo. No início de dezembro, ele disse a seu conselho de direitos humanos que a invasão poderia ser um “processo longo”. No entanto, ele também comemorou os ganhos territoriais da anexação.
Desde a anexação ilegal dos territórios em setembro, uma vez que é reconhecida internacionalmente, a Ucrânia vem levando adiante ofensivas nestas áreas, tendo reconquistado a capital de Kherson, a principal cidade ucraniana dominada pela Rússia desde o começo da guerra, em fevereiro.
A cidade de Bakhmut, entre as regiões de Luhansk e Donetsk, é hoje palco de uma sangrenta batalha apelidada de “carnificina de Bakhmut” pelo grande número de baixas que ela já provocou.
A batalha está sendo um teste de força para os militares russos, que focaram seus esforços na cidade e enviaram o Grupo Wagner — formado por mercenários — ao local. O conflito está sendo encarado como vital para o moral das tropas russas após sucessivas derrotas no norte e sul da Ucrânia.
A cidade recebeu ontem a visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que distribuiu condecorações a combatentes locais.
Os EUA e seus aliados europeus apoiam a resistência ucraniana — um fator considerado fundamental para que o país recuperasse parte de seu território perdido. Kiev considera a retomada das regiões invadidas pela Rússia uma precondição para qualquer negociação.
“Eu me arriscaria a dizer que as coisas poderiam ser muito menos complicadas para os russos na Ucrânia se eles simplesmente saíssem e levassem suas tropas para fora do país”, disse ontem o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, John Kirby. “Além disso, como obviamente não parece ser algo que Putin esteja disposto a adotar como uma ideia para simplificar as questões na Ucrânia, vamos continuar a garantir todo o apoio aos esforços da Ucrânia para se defender”, afirmou.
Putin também indicou ontem que a repressão doméstica da Rússia à dissidência continuará. Moscou tornou crime o ato de “desacreditar as forças armadas” – o que essencialmente pune qualquer crítica à guerra. “As agências de contra-espionagem devem estar tão preparadas e concentradas quanto possível para agir”, acrescentou.
Fonte: Valor Econômico


