Por Anaïs Fernandes e Lucianne Carneiro — De São Paulo
26/10/2022 05h01 Atualizado há 6 horas
Com a alta de 0,16% em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) deixa para trás duas leituras seguidas de queda, movimento que já era esperado pela maioria dos economistas. A prévia da inflação do mês, no entanto, ficou acima da expectativa mediana do Valor Data, de 0,09%. Apesar disso, analistas dizem que a surpresa foi concentrada em itens voláteis, enquanto medidas tendenciais foram mais benignas, sobretudo em serviços.
Em 12 meses, o IPCA-15 acumula alta de 6,85% até outubro, ante 7,96% em setembro. A gasolina foi a principal influência baixista para o indicador mensal, com queda de 5,92% do preço e alívio de 0,29 ponto percentual para o índice cheio. Sem isso, a prévia teria subido 0,45%.
A gasolina ainda reflete o efeito residual do corte de impostos e de reajustes negativos da Petrobras nas refinarias. Os combustíveis em geral recuaram 6,14%, contribuindo para a queda de 0,64% do grupo de transportes, menos do que a retração de 2,35% em setembro. “A gente tem o início da diminuição do impacto desses itens, porém, eles ainda estão presentes”, afirma Mirella Hirakawa, economista da AZ Quest.
Em sentido contrário, as passagens aéreas exerceram a maior pressão altista e foram responsáveis por boa parte do desvio entre o IPCA-15 observado e o projetado pelos economistas. Os preços subiram 28,17% e responderam por 0,18 ponto percentual da alta do indicador.
Como, por metodologia, esses preços são replicados no IPCA cheio, algumas casas ajustaram suas projeções para a inflação em outubro e, assim, para o ano. Na Warren Renascença, a previsão para o IPCA de outubro passou de 0,33% para 0,47%. Com isso e um ajuste no IPCA de novembro, a estimativa de inflação para 2022 passou de 5,3% para 5,4%.
A Daycoval Asset, que ainda esperava ligeira deflação no IPCA-15 de outubro, de 0,04%, ajustou sua previsão para o índice cheio no mês de 0,3% para 0,4%, elevando o IPCA em 2022 de 5,5% para 5,6%. Já o ABC Brasil subiu sua projeção para o IPCA em outubro de 0,41% para 0,47%, com o ano indo de 5,56% para 5,62%.
Além das passagens aéreas, foi destaque a alta de 0,21% nos preços dos alimentos, após deflação de 0,47% de setembro. Em 12 meses, eles sobem 11,43%. A alta foi puxada pela alimentação no lar, que avançou 0,14% em outubro, após cair 0,86% no mês anterior.
O grupo com maior variação positiva, no entanto, foi vestuário, que subiu 1,43%, ainda que tenha desacelerado do 1,66% de setembro. O grupo faz parte da categoria de bens industriais, cuja inflação desacelerou de 11,88% para 11,02% em 12 meses, segundo dados da MCM Consultores. Os bens industriais subjacentes (sem considerar itens mais voláteis), porém, aceleraram de 13,83% para 14,04%. “A mensagem é que a desinflação de certos itens duráveis, fortemente impactados pelos gargalos, não vai ser linear”, diz Hirakawa.
“O resumo, dado nossa expectativa, é que foi um pouco mais positivo [o IPCA-15 de outubro], mas ainda tem de ter atenção, principalmente na parte de serviços intensivos em trabalho e nos industriais subjacentes”, afirma Adriano Valladão, economista sênior do ABC Brasil.
Em 12 meses, os serviços desaceleraram para 8,29% e 9,16%, pela ordem, na métrica geral e naquela que exclui itens mais voláteis. “Não acho que com esse número [da inflação de serviços no IPCA-15 de outubro] dá para dizer que inflexionou, mas não foi surpresa negativa”, diz Rafael Cardoso, economista-chefe da Daycoval Asset.
Além disso, a média dos núcleos registrou estabilidade no IPCA-15 de outubro (0,47%, ante 0,46% em setembro), mas, em 12 meses, ficou em um dígito pela primeira vez desde abril deste ano, ao passar de 10,18% para 9,79%, segundo a MCM.
Fonte: Valor Econômico


