Por Lucia Mutikani, Reuters — Washington
27/04/2023 10h24 Atualizado há 12 horas
O crescimento econômico dos EUA desacelerou mais que o esperado no primeiro trimestre, apesar de uma aceleração nos gastos do consumidor. Esse impulso foi anulado pelo esforço de redução dos estoques pelas empresas, em antecipação à demanda mais fraca esperada no final do ano em meio a custos de empréstimos mais altos.
A primeira queda nos estoques privados em 18 meses informada pelo Departamento do Comércio no relatório do PIB no primeiro trimestre, divulgado ontem, é uma notícia potencialmente boa para a economia neste segundo trimestre, em meio ao risco de uma recessão no fim do ano. Havia temores de que uma correção dos elevados levassem a uma desaceleração econômica mais acentuada.
A desaceleração do trimestre passado aumentou as esperanças de que as empresas estejam perto de se livrar de estoques não desejados, o que as colocaria em uma melhor posição para recompor seus estoques, se precisar.

“Os estoques mais enxutos significam que o PIB do segundo trimestre está em uma base sólida”, diz Chris Low, economista-chefe da FHN Financial de Nova York. “É claro que o que o crescimento sobre essa base dependerá de muitas coisas, inclusive da criação de empregos e do aumento da renda, além da confiança e da disponibilidade de crédito.”
O PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 1,1% no primeiro trimestre, segundo dado preliminar, bem abaixo da expansão de 2,6% do quarto trimestre de 2022 e da expectativa dos analistas de 2%.
Os investimentos privados em estoques caíram a um ritmo de US$ 1,6 bilhão, a primeira queda desde o terceiro trimestre de 2021. O recuo, liderado por grupos atacadistas e manufatureiros, seguiu-se a um crescimento de US$ 136,5 bilhões no quarto trimestre. Segundo economistas, essa redução reflete a relutância das empresas em aumentar os estoques, combinado com o aumento dos gastos pelo consumidor.
Os estoques eliminaram 2,6 pontos porcentuais do crescimento do PIB, o maior freio em dois anos, depois de terem acrescentado 1,47 ponto porcentual no trimestre anterior. Os investimentos das empresas em equipamentos encolheram pelo segundo trimestre seguido. Os investimentos gerais das empresas foram pequenos, provavelmente em razão da diminuição das margens de lucro.
Os investimentos em moradias registraram a oitava queda trimestral consecutiva, embora o ritmo desse declínio tenha diminuído. O aumento nos gastos do governo e um déficit comercial menor contribuíram para o PIB crescer pelo quarto trimestre seguido.
Excluindo-se os estoques, o comércio e os gastos do governo, a economia americana cresceu 2,9%, o maior número desde o segundo trimestre de 2021. O ganho dessa medida de demanda interna, que ficou estável no quarto trimestre, foi impulsionado pelo aumento de 3,7% nos gastos do consumidor depois do aumento anêmico de 1% no quarto trimestre.
O salto nos gastos dos consumidores, que representam cerca de 70% da atividade econômica dos EUA, foi puxado pelo aumento nas compras de veículos a motor e pelos gastos em assistência médica, em restaurantes e hotéis.
A aceleração foi acompanhada por um aumento na inflação. O índice de preços do PIB subiu 3,8%, de uma alta de 3,6% no quarto trimestre. Um dos indicadores favoritos de inflação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) o índice de preços de despesas pessoais, subiu 4,9%, depois da alta de 4,4% no trimestre anterior. Acredita-se que o Fed vai elevar o juro novamente na próxima semana.
Apesar do mais agressivo ciclo de alta dos juros nos EUA desde os anos 80, alguns economistas estão cautelosamente otimistas com o cenário econômico e acreditam que qualquer recessão será branda. Outros acham que uma desaceleração pode ser evitada completamente. “É provável que uma recessão nos EUA comece no segundo semestre deste ano”, disse Gus Faucher, economista-chefe da PNC Financial. “Deverá ser leve, no entanto, já que as finanças dos consumidores continuam fortes, enquanto o mercado de trabalho apertado irá desestimular demissões.”
Fonte: Valor Econômico
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