Por David Sheppard, Financial Times — Londres
30/05/2022 13h05 Atualizado há 21 horas
O petróleo subiu a mais de US$ 120 por barril nesta segunda-feira, afetado pela escassez nos mercados de combustíveis refinados e pelas preocupações com o fornecimento da Rússia, que impulsionaram os preços para o maior patamar em dois meses.
O preço do petróleo do tipo Brent, referencial internacional, subia 1%, para a US$ 120,50 por barril, maior valor em dois meses, no início dos negócios desta segunda-feira, nas vésperas do vencimento dos contratos para entrega em julho, na terça. O West Texas Intermediate (WTI), referencial dos Estados Unidos, avançava 0,5%, para US$ 116,20 por barril.
A valorização se dá em um momento em que os preços dos combustíveis refinados, como diesel e gasolina, vêm subindo em razão da falta de oferta em alguns dos principais centros de distribuição.
A queda nas exportações de diesel da Rússia, que muitas empresas ocidentais passaram a evitar ou reduzir depois da invasão da Ucrânia, deixaram a oferta no mercado ainda mais pressionada do que no de petróleo.
O contrato de gasóleo na Europa, um indicador do diesel e de outros destilados, é negociado em patamares recorde, próximos a US$ 1,2 mil por tonelada.
Dessa forma os motoristas de muitos países estão pagando valores recorde pelo diesel e gasolina, embora o petróleo ainda esteja abaixo de deu maior preço histórico, de US$ 147,50, atingido em 2008.
Por sua vez, os subsídios governamentais e o abrandamento das restrições pela covid-19 vêm mantendo a demanda elevada apesar da alta dos preços, segundo Keshav Lohiya, da firma de consultoria Oilytics.
“Apesar do recorde nos preços em moedas locais, decisões políticas, como os subsídios, continuam distorcendo o mercado”, disse Lohiya. “Além disso, a demanda pós-covid continua a manter a mobilidade muito alta na Europa, especialmente no período que antecede o verão [europeu].”
Nos próximos dias, os operadores estarão atentos a qualquer decisão da União Europeia (UE) sobre as restrições ao petróleo russo ou um embargo total. Os membros do bloco econômico devem se reunir na segunda e terça-feira. Alguns países da UE, como a Hungria, se opõem à proibição total das compras de petróleo russo, mas o bloco quer aumentar a pressão sobre a Rússia.
A reticência da Opep+ em acelerar o aumento da produção de petróleo também dá sustentação aos preços. O grupo se reúne na quinta-feira e deve manter seu plano de aumentar a produção em cerca de 400 mil barris por mês, a meta em vigor desde 2021.
As preocupações com o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 35% das exportações marítimas de petróleo todos os dias, somaram-se aos fatores que impulsionam o preço, depois de o Irã ter apreendido dois petroleiros de bandeira grega na sexta-feira.
Fonte: Valor Econômico