O salto do petróleo a patamares acima de US$ 100 por barril afeta a perspectiva do mercado para a inflação doméstica e faz os investidores cogitarem a possibilidade de o Banco Central não cumprir com a orientação dada na sua última decisão de política monetária e manter a Selic em 15% no próximo dia 18 – algo que era visto como algo bastante improvável até a semana passada.
No mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade precificada pelo mercado de que isso ocorra salta de 16% para 28% nesta manhã, tendo atingido uma máxima de 36% mais cedo. Já a chance implícita de um corte de 0,5 ponto percentual – cenário-base de quase todo o mercado antes da guerra no Oriente Médio – recua de 50% a 35%, após ter tocado os 30%. Sem oscilação, há também 36% de probabilidade de um corte de apenas 0,25 ponto percentual.
Os juros futuros também refletem de forma bastante clara a pressão do petróleo sobre as perspectivas de curto prazo do mercado para a Selic: enquanto as taxas de longo prazo mostram avanços modestos e até leve queda nos vértices mais extremos da curva a termo, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 salta de 13,65% a 13,79%. Já a taxa do DI de janeiro de 2028 tem forte alta de 13,165% para 13,32%, e a do DI de janeiro de 2029 sobe de 13,265% a 13,38%.
Para a próxima reunião do Copom, a curva de juros futuros precifica um corte de 27 pontos-base (0,27 ponto percentual), indicando que o cenário-base do mercado passou a ser de um corte menor. Mas, segundo um trader de renda fixa, a verdade é que o “mercado está totalmente perdido” sobre a próxima decisão do Copom e, basicamente, hoje dá chances iguais tanto para os cortes de 0,25 e 0,50 ponto, quanto para a manutenção da Selic em 15%.
Para o ano de 2026 como um todo, a curva a termo já precifica uma Selic bem perto de 13%, o que configuraria um ciclo de corte de juros de apenas 2 ponto percentuais – bastante tímido se considerar que a Selic está em seu maior patamar das últimas duas décadas desde junho do ano passado.
Fonte: Valor Econômico