Por Adriana Cotias — De São Paulo
09/08/2023 05h05 Atualizado há 6 horas
O fundo Verde, liderado por Luis Stuhlberger, fechou julho com valorização de 2,24% e recuperou terreno em relação ao CDI, com alta acumulada no ano de 7,26%, ante 7,64% do referencial. Os ganhos do mês vieram do “kit Brasil”, de posições em bolsa, real e inflação implícita local, além da exposição em commodities e juros globais. As perdas vieram da estrutura de proteção para ações lá fora.
Segundo a gestão destaca na carta mensal, o Brasil seguiu os bons ventos globais em julho, com a reabertura de captações de dívida e de ações, criando condições de financiamento para as companhias após o choque de crédito no início do ano. Com a dose de redução da Selic surpreendendo, de 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, e expectativa de um corte igual na próxima reunião, a gestão acredita que o processo de realocação de portfólio do brasileiro vai ganhar pujança, ajudando a suportar os preços dos ativos locais, de ações a crédito.
Para a casa, os “potentes resultados da balança comercial” devem ancorar o real, mesmo com menos suporte do diferencial de juros.
Lá fora, os mercados seguiram em recuperação com o S&P 500 (3,1%) e o Nasdaq (3,8%) avançando mesmo com as taxas dos títulos soberanos dos EUA de dez anos subindo. Segundo a análise, os dados econômicos em geral evidenciam uma saudável combinação de desinflação com crescimento. Mas uma ameaça vem dos preços do petróleo, com alta de 12,4% para o tipo Brent no mês, depois de valorização de 5,1% em junho.
“No atual equilíbrio macro, os preços de energia são particularmente perniciosos, pois aumentam a inflação e, portanto, forçam os bancos centrais a taxas de juros ainda mais altas, ao mesmo tempo em que roubam renda real discricionária do consumidor”, escreve o time da Verde. Pode prejudicar um equilíbrio frágil para o crescimento do PIB.
Para a gestão, a valorização da commodity deve se estender, já que o mercado físico mostra pela primeira vez no ano um aperto no lado da oferta. O contrapeso vem, contudo, por um corte de produção da Arábia Saudita que tende a ser revertido conforme o preço se aproxime de US$ 100 o barril.
O fundo Verde mantém pequena exposição “vendida” (aposta na baixa) em bolsa global e reduziu a parcela em ações no Brasil, após alguns ativos terem atingido preços com menor retorno potencial. A gestão mantém a posição aplicada em inflação implícita no Brasil, bem como em juros reais nos EUA. O fundo iniciou um posicionamento vendido no dólar em relação ao real.
Fonte: Valor Econômico