O sentimento em relação ao mercado de ações dos Estados Unidos está melhorando, mas é muito cedo para os investidores baixarem a guarda, de acordo com estrategistas do Morgan Stanley.
A equipe liderada por Michael Wilson identificou quatro fatores necessários para sustentar um rali mais duradouro, mas viu progresso em apenas dois: “otimismo em torno de um acordo comercial com a China e estabilização nas revisões de lucros”, escreveram os estrategistas em uma nota nesta segunda-feira.
“Os outros dois itens da nossa lista — um Fed (Federal Reserve, o banco central americano) mais “dovish” (propenso a juros mais baixos) e o rendimento dos títulos de 10 anos abaixo de 4% sem dados de recessão — ainda não se materializaram.”
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, reiterou a abordagem de esperar para ver do banco central em relação à flexibilização da política monetária na semana passada, enquanto o rendimento dos títulos com vencimento em 10 anos agora ultrapassa 4,4%. “Em nossa visão, um rendimento de 10 anos acima de 4,5% é um obstáculo para o valuation”, acrescentaram eles.
Os futuros do S&P 500 subiram e os ativos de risco avançavam nesta segunda-feira, depois que a China e os EUA concordaram em reduzir temporariamente as tarifas sobre os produtos de ambos os lados. A medida para acalmar as tensões comerciais dá a ambas as partes três meses para resolverem suas diferenças.
Após cair quase 19% desde o pico em fevereiro, em meio aos temores de uma guerra comercial global, o S&P 500 já recuperou cerca de metade dessas perdas, à medida que o governo dos EUA iniciou negociações comerciais com os parceiros.
As tarifas têm estado no topo das preocupações das empresas durante a temporada de relatórios de lucros, com suas menções atingindo um recorde nas teleconferências de resultados financeiros, de acordo com a análise do Morgan Stanley.
Cerca de 30 empresas cancelaram ou suspenderam seus “guidances” (projeções) em meio à incerteza tarifária, especialmente em setores como automóveis, bens duráveis e indústria. Ainda assim, os estrategistas observaram que as ações desses setores, em média, subiram desde a divulgação dos resultados.
Para Wilson, agora que o S&P 500 ultrapassou sua resistência anterior em 5.500 e está de volta à faixa pré-”Dia da Libertação” (anúncio das tarifas recíprocas dos EUA) de 5.500 a 6.100, uma alta mais significativa também dependerá de um acordo comercial com a China e de uma reaceleração nas revisões de lucros.
“O próximo e mais importante teste técnico para o S&P 500, desde que este rali começou há cerca de um mês, ocorre na convergência das médias móveis de 200 e 100 dias (5.750 a 5.800 pontos)”, disseram os estrategistas.
Fonte: Valor Econômico


