A secretária nacional de Vigilância, Ethel Maciel, afirmou que a Pasta acompanha os desdobramentos da nova subcepa EG.5, variante da ômicron
Por Agência O Globo — Brasília
17/08/2023 17h20
A nova subvariante do coronavírus, identificada nos Estados Unidos e em outros países nas últimas semanas, não é, neste momento, considerada uma ameaça substancial pelo Ministério da Saúde e nem deve causar alterações nas recomendações vigentes para prevenir a covid-19 — como uma volta do uso obrigatório da máscara.
Ao “Globo”, a secretária nacional de Vigilância, Ethel Maciel, afirmou que a pasta acompanha os desdobramentos da nova subcepa EG.5, variante da Ômicron.
“Estamos acompanhando o que vem sendo feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mas o cenário da covid continua o mesmo ao de antes. Essa nova variante não é de preocupação ainda e está sendo observada”, tranquilizou a secretária.
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Segundo a titular, os estudos sobre a nova subvariante não apontam para um aumento de gravidade dos sintomas.
“O que sabemos até agora é que é uma variante com maior capacidade de reinfecção, para as pessoas que já foram infectadas. Não há indicação de mudança de gravidade.”
Nesta semana, a EG.5 foi classificada como “de interesse” pela OMS, o que significa que possui alterações genéticas que conferem vantagens, além de a prevalência estar crescendo no hemisfério norte.
Contudo, a OMS afirmou, por meio de um comunicado, que, com base nas evidências disponíveis, “o risco para a saúde pública representado pela EG.5 é avaliado como baixo em nível global”.
No Brasil, os casos de covid-19 estão estáveis. A secretária reforça que o acompanhamento epidemiológico é feito pelo ministério de forma diária, mas pode estar sendo comprometido devido ao baixo índice de testagem da doença no Brasil.
“Observamos um aumento de síndrome gripal entre as crianças na semana passada em São Paulo, no Paraná e no Espírito Santo. Como são casos que só aumentaram na faixa etária infantil, não nos parece, ainda, que tenhamos um aumento de covid-19”, disse.
“É importante orientar que as pessoas, principalmente as imunocomprometidas, fiquem atentas em locais de aglomeração e procurem os serviços de saúde para testar em caso de sintomas. A testagem está baixa, e, com isso, perdemos a capacidade de compreender e controlar a situação.”
Medicação
A secretária também estimula que a população utilize o medicamento Paxlovid, primeiro remédio para casos leves de covid-19. Fabricado pela Pfizer, o medicamento, composto pelos antivirais Nirmatrelvir e Ritonavir, é recomendado para pessoas consideradas de risco com casos leves ou moderados da doença. Ele foi inserido no SUS no último ano.
“Com a baixa testagem, temos uma baixa indicação do medicamento que poderia salvar muitas vidas. Algumas pessoas não respondem bem à vacina e o medicamento funciona nesses casos.”
Vacina
A vacinação continua sendo a principal arma contra a covid-19. Maciel lamenta a baixa adesão ao imunizante bivalente, e a atribui à desinformação e “fake news” espalhadas nas redes sociais. Com a nova subvariante, a titular lembra a população de atualizar as doses nas unidades básicas de saúde.
EG.5
A subvariante foi identificada na China em fevereiro de 2023 e foi detectada pela primeira vez nos Estados Unidos em abril. Ela é uma descendente da ômicron XBB.1.9.2 e possui uma mutação importante que a ajuda a escapar dos anticorpos desenvolvidos pelo sistema imunológico em resposta a variantes anteriores e vacinas.
A EG.5 não parece ter novas habilidades em relação à sua capacidade de contágio, sintomas ou probabilidade de causar doenças graves. Testes diagnósticos e tratamentos como o Paxlovid continuam sendo eficazes contra ela, segundo especialistas.1 de 1 — Foto: Fernando Zhiminaicela/Pixabay
— Foto: Fernando Zhiminaicela/Pixabay
Fonte: Valor Econômico