2023-04-20 11:43:51.495 GMT
Por Fernando Travaglini
(Bloomberg) — Secretários do Tesouro, Rogério Ceron, e de Reformas Econômicas, Marcos Pinto, divulgam em entrevista às 9:00 um pacote de crédito e garantia para parcerias público-privadas. Nesta semana, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que seriam 14 novas medidas. O programa chega após dia de pressão no mercado diante do ceticismo com regra fiscal, que trouxe exceções ao limite de gastos e afrouxamento nas punições por descumprimento, além da incerteza sobre aumento de receita.
O plano também se insere no contexto de aperto monetário e críticas do presidente Lula ao nível da Selic. Expectativas de inflação acima da meta é um sinal de alerta, disse ontem o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento público em Londres. “A batalha contra a inflação não está ganha” e o processo de desinflação está mais lento do que o esperado, completou.
As ações que serão anunciadas são voltadas para reduzir o que o governo classifica como barreiras e ineficiências no crédito, além de proteger investidores no mercado de capitais, melhorar o funcionamento das instituições que dão suporte aos mercados bancário e de capitais, e aprimorar o processo de utilização de garantias, diz o Globo.
Ainda o arcabouço
O governo estuda novos ajustes no arcabouço durante a tramitação no Congresso, diz a Folha, que cita participantes envolvidos nas negociações, mas não identificados. É analisada a possibilidade de ampliar a lista de exceções de despesas — embora, com impacto marginal —, além de flexibilizar o uso da inflação nos cálculos e deixar mais claro o mecanismo de redução do limite de gastos em caso de descumprimento da meta, de acordo com a reportagem. O presidente Lula não quer que o PT proponha mudanças na regra fiscal, ainda que parte dos petistas no Congresso pensem diferente, segundo o Estado.
PT e o arcabouço
A bancada do PT da Câmara divulgou nota em apoio à proposta de arcabouço fiscal apresentada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele se reuniu com representantes da cúpula do partido, incluindo a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann, na noite de terça-feira para explicar proposta. Integrantes da bancada expressaram preocupação de que marco fiscal trouxesse redução drástica de investimento, mas o receio foi dirimido durante reunião, disse o líder do partido na Casa, deputado Zeca Dirceu, em entrevista. Bancada pode apresentar emendas ao texto a depender de alterações que oposição tente fazer.
Demissão no GSI
Ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Gonçalves Dias, pediu demissão. Ele confirmou o pedido de afastamento por mensagem de texto à Bloomberg. A saída do
ministro, que foi chefe da segurança de Lula nos dois mandatos anteriores, ocorre após vazamento de imagens pela CNN Brasil em que ele aparece dentro do Palácio do Planalto durante a invasão de 8 de janeiro. Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça, assume a pasta interinamente, segundo a Secretaria de Comunicação Social da Presidência.
Demissão muda clima na base e aliados passam a apoiar CPMI dos atos antidemocráticos, diz o Globo.
Outros destaques
- Ida de Lula à China estreita laço econômico com gigante asiático; Lula embarca para viagem a Portugal e Espanha
Manchetes dos jornais
- O Estado de S. Paulo
** Imagens de 8/1 derrubam chefe do GSI de Lula; CPI ganha força - Folha de S.Paulo
** Vídeo do 8/1 derruba ministro do GSI - O Globo
** Chefe do GSI cai, e CPI dos atos ganha força no Congresso - Valor Econômico
** Chefe do GSI cai após vídeo em ato golpista
Fonte: Bloomberg