Especialista pondera, porém, que ordem executiva para farmacêuticas reduzirem preços voluntariamente pode refletir em remédios de alto custo
Segundo Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, sindicato do setor, a tendência é não haver impactos para o Brasil, uma vez que os preços dos remédios no mercado nacional estão alinhados ao praticado em outros países. A referência é uma cesta de nove países, sendo que o Brasil precisa adotar o valor mais baixo praticado entre eles.
Para o consultor Denizar Vianna, ex-Ministério da Saúde, possíveis mudanças nos preços de medicamentos de alto custo podem impactar a política global de preços. Hoje, remédios à base de terapias celular e gênica têm preços extremamente elevados e a referência para o Brasil é o valor praticado nos EUA, onde o preço é livre, diferente do que ocorre na Europa e Brasil.
As farmacêuticas comercializam esses medicamentos inicialmente nos EUA, onde as negociações de preço são livres, e depois entram no Brasil. Como são remédios novos e sua compra, em muitos casos, ocorre via judicialização não há um preço definido pelo governo e a referência acaba sendo o valor praticado no mercado americano.
Recentemente, por causa do aumento de liminares pedindo a cobertura dos medicamentos de alto custo Zolgensma e o Elevydis, o governo negociou com as farmas produtoras um preço para que ficassem abaixo dos preços praticados nos EUA. O Zolgensma, da Novartis, é comercializados por R$ 7 milhões e o Elevydis, da Roche, por R$ 13,6 milhões para pacientes SUS.
No entanto, Vianna lembra que Trump terá que enfrentar a força das farmacêuticas.
Ainda não há informações se essa pressão de Trump será restrita ao programa Medicare (em que o governo compra os medicamentos), ou se valerá para as seguradoras que, nos EUA, pagam remédios aos seus clientes ou medicamentos de alto custo.
Fonte: Valor Econômico