A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 96,8% na comparação anual. O resultado foi impulsionado principalmente pela alta do preço do petróleo e pelo aumento da produção.
O petróleo mais caro já apareceu com força no resultado da Petrobras no segundo trimestre. A maior produção, combinada à realização de exportações que ainda estavam em trânsito no fim do primeiro trimestre, impulsionou as vendas externas da companhia. O Brent teve cotação média de US$ 104,52 por barril, alta de 54,1% na comparação anual.
No mercado interno, o preço médio chegou a R$ 578,51 por barril, avanço de 23,1% em relação ao mesmo período de 2025. A maior utilização das refinarias também elevou a produção de derivados em 5,6% frente ao primeiro trimestre e reduziu a necessidade de importações.
O número inclui um ganho cambial de R$ 1,8 bilhão, bem abaixo dos R$ 12 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Excluindo esse e outros itens não recorrentes, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 55,8 bilhões, alta de 140,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025.
Resultado por segmento
O segmento de Refino, Transporte e Comercialização registrou receita de R$ 163,2 bilhões, alta de 45,6% na comparação anual. O avanço foi explicado pela elevação das cotações internacionais e pelo maior volume exportado, refletindo o aumento da produção de petróleo.
Exploração e Produção gerou receita de R$ 114,9 bilhões, crescimento de 40,8% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi beneficiado principalmente pela alta do Brent e pelo aumento da produção.
Gás e Energias de Baixo Carbono somou R$ 12,2 bilhões em receita, queda de 1,4% na comparação anual. Apesar do recuo da receita, o lucro líquido do segmento avançou 89,9%, para R$ 957 milhões, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 57,5%, para R$ 2,1 bilhões.
De onde vem o dinheiro
A receita de vendas somou R$ 169,5 bilhões, crescimento de 42,3% na comparação anual e de 37,1% frente ao primeiro trimestre. O desempenho refletiu, entre outros fatores, o maior volume exportado, viabilizado pelo aumento da produção, e a valorização do Brent.
A produção própria de petróleo e gás atingiu 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre, alta de 14% em um ano, impulsionada pelo avanço de novas plataformas e pela entrada em operação da P-79, no campo de Búzios.
O Ebitda ajustado foi de R$ 93,8 bilhões, avanço de 79,6% em um ano. Sem eventos exclusivos, aqueles não-recorrentes, o indicador alcançou R$ 100,6 bilhões, alta de 73,8% na comparação anual e de 63,2% frente ao trimestre anterior.
A geração de caixa também avançou. O fluxo de caixa operacional alcançou R$ 61,8 bilhões, alta de 45,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já o fluxo de caixa livre praticamente dobrou, para R$ 38,6 bilhões, crescimento de 100,6%.
A companhia aprovou ainda R$ 17,4 bilhões distribuição de dividendos relacionados ao resultado do segundo trimestre.
Investimentos em alta
Os investimentos totalizaram US$ 5,3 bilhões no segundo trimestre, alta de 19,6% na comparação anual. Exploração e Produção concentrou cerca de 82% do total, com US$ 4,3 bilhões. O crescimento frente ao ano anterior foi impulsionado principalmente pelos grandes projetos do pré-sal da Bacia de Santos, com destaque para os novos sistemas de produção de Atapu e Sépia, além da construção de poços em Búzios. A plataforma P-79, oitava unidade de produção de Búzios, entrou em operação em maio, com capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia.
A dívida bruta encerrou junho em US$ 70,8 bilhões, queda de 0,6% em relação ao fim do primeiro trimestre, enquanto a dívida líquida recuou 2,7%, para US$ 60,4 bilhões. A dívida financeira caiu 6,2% no período, principalmente em razão de pré-pagamentos realizados ao longo do trimestre. O prazo médio da dívida aumentou de 11,3 para 11,9 anos, enquanto o custo médio permaneceu estável em 6,8% ao ano.
A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses caiu de 1,43 vez no fim de março para 1,14 vez em junho. Já a relação entre dívida bruta e Ebitda ajustado recuou de 1,64 vez para 1,34 vez.
Fonte: Exame


