Setor carecia de dados e realizou o primeiro levantamento anual em parceria com a MaxiQuim
Por Stella Fontes — De São Paulo
05/07/2023 05h01 Atualizado há um dia
A combinação de juros elevados e inflação deve ter reflexos negativos na demanda doméstica de PVC e fazer de 2023 um ano mais difícil para a cadeia de valor do que foi 2022, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro do PVC, Alexandre Castro.
“Potencialmente haverá alguma redução frente a 2022. Mas, olhando para a frente, acreditamos no retorno à tendência de expansão, por causa dos projetos ligados à redução do déficit habitacional e universalização do saneamento no país”, disse o executivo ao Valor.
No ano passado, mostra o primeiro levantamento anual produzido pela entidade em parceria com a MaxiQuim, o consumo aparente de PVC no país, medido pela soma da produção da resina virgem e das importações menos as exportações, alcançou 1,024 milhão de toneladas, queda de 16% frente ao volume de 1,221 milhão de toneladas do exercício anterior.
Essa redução, ponderou Castro, teve mais relação com ajuste de estoques, seja de matéria-prima ou de produto acabado, do que com a demanda propriamente.
Em 2021, a pandemia de covid-19 ainda impulsionava os gastos das famílias com reforma e as vendas do pequeno varejo da construção, com consumo relevante da resina. No ano passado, houve leve acomodação da demanda e, com o início da elevação das taxas de juros, empresas que operavam com estoques mais elevados optaram por promover ajustes de inventário.
Em 2023, juros e inflação devem ter impacto mais negativo na da renda das famílias, analisa Castro. A construção civil representa o principal mercado para a resina, no país e no mundo, com cerca de 70% da demanda. Além de tubos e conexões, o PVC é usado em fios e cabos, pisos, forros e portas. E também é relevante para outros segmentos, como o de saúde, com aplicação na fabricação de bolsas de sangue e blister de medicamentos.
Potencialmente haverá alguma redução frente a 2022”
— Alexandre Castro
Conforme o estudo, no ano passado, 62% do consumo aparecente da resina veio da construção civil, 9% da infraestrutura, 6% de calçados, 6% do agronegócio, 4% transportes, 3% setor automotivo, 3% alimentos, 2% setor industrial, 2% setor médico-hospitalar, 2% dos segmentos de higiene, limpeza e farmacêutico e 1% de outros setores.
Por região, o Sudeste é o maior mercado, com 48% do consumo aparente, seguido do Sul (28%), Nordeste (13%), Norte (6%) e Centro-Oeste (5%).
O levantamento mostra ainda que a capacidade de produção da resina no Brasil permanece há cinco anos em torno de 1 milhão de toneladas anuais, com nível operacional médio de 72% no ano passado, ante 68% em 2021. A produção de PVC virgem cresceu 5,5%, para 722 mil toneladas, enquanto a produção de PVC reciclado se manteve em aproximadamente 3% do total, com 23 mil toneladas.
A balança comercial da resina seguiu deficitária no ano passado, com importações de 330 mil toneladas e exportações de 28 mil toneladas. Em 2021, as importações chegaram a 571 mil toneladas, contra exportações de 34 mil toneladas.
Conforme Castro, que é diretor de negócios da Unipar e também preside o conselho da Associación Argentina del PVC, o setor carecia de dados de mercado no Brasil. O instituto, então, decidiu pela contratação de um agente externo, a MaxiQuim, para promover esse levantamento a partir de informações públicas. O resultado, segundo as empresas do setor, foi bastante representativo da realidade.
Essas informações serão divulgadas às empresas por trimestre e, anualmente, para o público em geral. O Instituto Brasileiro do PVC tem hoje 34 associados, o dobro do verificado há dois anos.
Fonte: Valor Econômico