A esperança de que os Estados Unidos e o Irã cheguem a um acordo diplomático para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, canal responsável por cerca de 20% do escoamento da produção global de petróleo, guiou o movimento bastante positivo do Ibovespa e, principalmente, dos juros futuros no pregão de ontem.
Com o tombo de 7% dos preços da commodity e a melhora da percepção de risco dos investidores, as taxas prefixadas encerraram a sessão em forte baixa: a do contrato de DI para janeiro de 2029, por exemplo, recuou de 13,745% para 13,52%, e a do DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,80% a 13,605%.
O Ibovespa registrou alta de 0,50%, aos 187.691 pontos, com seu desempenho contido pelos recuos de 3,87% das ações ON da Petrobras e de 2,92% dos papéis PN da companhia.
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Em carta mensal, a Ibiuna Investimentos afirma que o quadro agregado permanece construtivo para a bolsa brasileira, sustentado pelo patamar dos preços do petróleo e pelo processo de ciclo de queda de juros.
“Mantemos foco em companhias dotadas de robustez operacional, baixa alavancagem financeira e disciplina exemplar na alocação de capital. Para as próximas semanas, monitoraremos especialmente os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e a sinalização do Banco Central quanto à continuidade do ciclo de redução da Selic em meio a um quadro inflacionário mais desafiador”, diz o texto.
Como tem sido praxe desde o início da guerra no Oriente Médio, os juros futuros seguiram a evolução dos preços do petróleo na sessão de ontem. Na sua carta mensal de gestão, a Legacy Capital destaca que o ciclo de cortes da taxa Selic precificado pelo mercado na curva a termo é praticamente idêntico à evolução do preço do petróleo em reais nos últimos dois meses.
“Isso revela como fatores idiossincráticos da conjuntura econômica brasileira perderam relevância na determinação da dinâmica de mercado. Temas que antes ocupavam papel central, como medidas fiscais populistas endereçadas pelo governo para fins eleitorais, ou surpresas em dados de inflação e atividade, foram praticamente deixados de lado”, diz a carta da gestora.
“O petróleo é um ativo com volatilidade anual ao redor de 70%, e é isso que estamos vendo no mercado de renda fixa global”, diz Ian Lima, gestor de renda fixa ativa da Inter Asset. Para ele, mesmo depois da onda de “stops” (zeragem abrupta de posições) que afetou os juros no início da guerra, a renda fixa brasileira ainda se mostra mais frágil que o câmbio ou a bolsa quando os três mercados são avaliados sob paridade de risco.
Para ele, o trecho intermediário da curva de juros prefixados é onde há espaço para ganhos potenciais mais relevantes. Em caso de normalização do mercado de petróleo, o Banco Central pode prosseguir com o ciclo de cortes da Selic e até acelerá-lo à frente, passado o efeito inflacionário do choque atual. Lima destaca que a curva futura do petróleo precifica uma normalização da oferta no período de 12 meses.
“Uma vez se normalizando o petróleo, o ciclo [de cortes] pode seguir ao longo de 2027, o que vai ajudar os vértices de 2029 e 2030 de forma um pouco mais célere”, avalia Lima, ponderando que esse é um cenário que pode não se concretizar e depende amplamente do nível em que o preço do petróleo vai se estabilizar.
Fonte: Valor Econômico
