Desde que o Banco Central (BR) rejeitou a proposta de compra do Banco Master pelo BRB na semana passada, as taxas dos certificados de depósitos bancários (CDB) emitidos pelo grupo controlado por Daniel Vorcaro subiram alguns degraus no mercado secundário. Investidores tentam se desfazer dos ativos em meio ao risco de uma liquidação extrajudicial congelar o valor aplicado até que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) honre os pagamentos no limite estabelecido pela regulação.
Na plataforma da XP Investimentos, que é o principal canal de distribuição dos títulos emitidos por bancos de médio porte, havia 296 ativos disponíveis para negociação, com CDBs com vencimento em outubro com ofertas a IPCA mais 45,02%, e prefixados com resgate entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 a 35% e 37% ao ano.
Um dos maiores estoques era de um CDB com vencimento em fevereiro de 2026, a 150% do CDI, com 167,676 mil títulos, totalizando
R$ 174,4 milhões pelo preço mínimo de R$ 1,04. As versões indexadas ao IPCA somavam 5,8 mil.
Na plataforma digital do BTG Pactual, os prefixados no secundário apareciam com taxas a 20% ao ano para resgate em fevereiro de 2027, ou CDI mais 3% para abril de 2028. O maior estoque disponível era um CDB com vencimento em outubro de 2026, com R$ 173,5 mil, a IPCA mais 13%.
XP e BTG Pactual respondem pelas maiores exposições de clientes aos CDBs do Master, com cerca de R$ 35 bilhões e R$ 10 bilhões, respectivamente, seguidos pela NuInvest, com R$ 3 bilhões. No total, estima-se que o Master tenha cerca de R$ 60 bilhões em papéis distribuídos a investidores.
Na XP, o percentual de clientes acima dos limites do FGC é irrelevante, de 0,03% a 0,04% do estoque, segundo uma fonte. O BTG não vende emissão nova do Master desde dezembro de 2024, e metade do que tem não é mais negociado, segundo outro interlocutor.
No secundário, os distribuidores são intermediadores, facilitando as negociações bilaterais entre clientes, não assumindo os ativos na carteira proprietária. As instituições não são obrigadas a fornecer liquidez para dar saída a quem comprou esses papéis.
Desde maio, quando o Master recebeu uma linha de assistência do FGC, não há mais emissão de novos Certificados de Depósitos Bancários (CDB) ou letras do grupo de Vorcaro, incluindo a Will Financeira.
Quem entra agora tem que acreditar que, na hipótese de liquidação do Master pelo Banco Central, o FGC vai ser rápido o suficiente para compensar a capitalização que deixa de correr quando há a intervenção.
Os investidores que buscam vender no secundário tentam sair dessa “batata quente”, topando receber menos do que aplicaram, e quem compra com deságio pode se apropriar do rendimento extra. Como as taxas altas são nesse ambiente de negociação entre investidores, na prática o Master não tem essa despesa financeira excedente.
O FGC assegura depósitos na poupança, em conta corrente, a prazo, além de letras de crédito imobiliário e do agronegócio (LCI e LCA) de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, limitados a R$ 1 milhão na hipótese de acionamento conjunto em quatro anos.
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Fonte: Valor Econômico