Os hedge funds ligados à linhagem Tiger reportaram resultados mistos em agosto, o segundo mês consecutivo de volatilidade no tipo de ação de tecnologia e relacionada a IA que muitas dessas gestoras privilegiam. Para vários deles, a salvação veio dos fundos long-only [apenas comprados, sem posições vendidas], que conseguiram arrancar algum lucro no mês passado, sugerindo que as firmas perderam dinheiro nas posições short [vendidas].
De fato, apenas uma gestora ganhou dinheiro em seu fundo long-short [comprado e vendido]. O Flight Deck Capital, de Jay Kahn, subiu 2,13% em agosto e acumula alta de mais de 66% no ano, sendo de longe o fundo Tiger de melhor desempenho, mesmo após ter perdido 25% em julho.
Os resultados do Maverick Capital, de Lee Ainslie III, não foram tão auspiciosos.
O Maverick Fund, seu fundo long-short, perdeu quase 1% em agosto, reduzindo o ganho no ano para 11,25%, de acordo com uma base de dados de hedge funds. A perda foi bem menor do que a registrada por outros fundos.
Os fundos long-only se saíram razoavelmente bem. O Maverick Long subiu cerca de 3,4% no mês passado e acumula alta de 18,36% no ano. O Maverick Long Enhanced avançou aproximadamente 2,4% e sobe 19,55% em 2026.
O Maverick Neutral Fund [fundo market neutral, com exposição líquida próxima de zero] caiu cerca de 3,5% e acumula alta de apenas 4,05% no ano.
Três das quatro maiores posições compradas do Maverick em ações listadas nos EUA, respondendo por aproximadamente 15% desses ativos no conjunto da gestora, são ações de chips: Nvidia, Advanced Micro Devices e Intel. Outras posições entre as oito maiores incluem as ações das Magnificent Seven Alphabet, Amazon e Meta Platforms.
O Tiger Global Management, de Chase Coleman, arrancou uma alta de 20 pontos-base [0,20 ponto percentual] em seu fundo long-only no mês passado, elevando o ganho no ano para 11,7%, segundo duas pessoas que viram os resultados. O fundo long-short, por outro lado, caiu 1,2% no mês e agora sobe apenas 8,1% em 2026. O fundo Crossover [estratégia que combina investimentos em empresas de capital aberto e fechado] do Tiger Global é o destaque da gestora neste ano, com alta de 18,9%, mesmo tendo ficado estável em agosto.
As cinco maiores posições compradas da firma nos EUA, respondendo por mais de 40% dos ativos, são Taiwan Semiconductor Manufacturing, Amazon, Nvidia, Alphabet e Meta.
O Light Street Capital Management, de Glen Kacher, registrou uma disparidade de desempenho mais ampla entre seus dois principais fundos.
Seu fundo long-only subiu 1,51% em agosto e acumulava alta de 23,43% no ano, diz alguém que viu os resultados. O fundo foi lançado em 1º de fevereiro, depois que a Light Street reconstituiu sua estratégia long-only. O fundo long-short perdeu 5,41% no mês passado e sobe 8,72% no ano. Taiwan Semiconductor e AMD são suas duas maiores posições compradas, responsáveis por 19% dos ativos da gestora nos EUA, somadas.
O Valiant Capital Management, de Chris Hansen, está no vermelho após atravessar dois meses difíceis. O portfólio público perdeu mais de 10% em agosto, depois de cair quase 13% em julho. Como resultado, acumula queda de 5,78% no ano, segundo o informe mensal por e-mail da gestora, visto pela Institutional Investor.
A II noticiou anteriormente que, na carta ao cliente do segundo trimestre, Hansen afirmou estar confiante de que os gastos com semicondutores voltados a IA e equipamentos relacionados não vão desacelerar tão cedo. “Achamos que os gastos em capex [investimento em bens de capital] com IA por parte dos hyperscalers [grandes provedores de infraestrutura de nuvem em escala] se mostrarão mais duradouros do que o mercado projeta para os próximos anos.”
Outros fundos Tiger apresentaram resultados estáveis em agosto.
É o caso do D1 Capital Partners, de Dan Sundheim, que permaneceu com alta de 23,3% no ano, afirma alguém que viu os resultados.
O Discovery Capital Management, de Robert Citrone, ainda sobe 18,6% no ano, após ter caído mais de 7% em julho, segundo o mais recente relatório mensal aos clientes.
“Mantivemos uma postura relativamente defensiva ao longo do mês, refletindo uma perspectiva cautelosa para as próximas semanas”, disse Citrone aos clientes no relatório de agosto. “Seguimos atentos à incerteza em torno das eleições de meio de mandato [midterms], à pressão de alta sobre os juros de longo prazo nos EUA e no mundo e ao potencial de retomada da volatilidade relacionada aos mercados de petróleo. Embora esses riscos nos tenham levado a manter uma exposição geral de mercado mais baixa, nossa perspectiva de médio prazo permanece construtiva, e acreditamos que a fraqueza dos mercados pode criar oportunidades atrativas para adicionar risco à medida que avançamos para o quarto trimestre.”
Fonte: Institutional Investor

