Por Eduardo Magossi — De São Paulo
30/06/2022 05h04 Atualizado há 6 horas
A desaceleração econômica dos Estados Unidos vista até o momento não é suficiente para que o Federal Reserve (Fed) mude o curso de sua política monetária. Para Marcelo Fonseca, economista-chefe do Opportunity Total, esta foi a principal mensagem passada ontem pelo presidente do Fed, Jerome Powell, durante participação no fórum de banco centrais organizado pelo Banco Central Europeu (BCE).
Segundo ele, havia a expectativa de parte dos agentes do mercado de que o banco central poderia, em algum momento próximo, reavaliar o caminho da política monetária. “Mas o que Powell mostrou é que a desaceleração não é suficiente e que ainda existe um desequilíbrio expressivo entre oferta e demanda. Na verdade, ele endureceu o discurso de combate à inflação.”
Fonseca afirma que todos os participantes da mesa redonda – além de Powell, a presidente do BCE, Christine Lagarde, e o chefe do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey – reconheceram que este ambiente inflacionário, que não era visto há décadas, não vai voltar ao normal. “Isto reforça o compromisso de todos os bancos centrais em permanecer firme em seu compromisso de elevar os juros, mesmo com potencial risco de recessão.”
De acordo com o economista de EUA do Itaú BBA, Bernardo Dutra, o recado mais forte que o presidente do Fed passou foi que o maior risco que os Estados Unidos enfrentam hoje não é a recessão, mas a continuidade de um ciclo de inflação alta.
Para Dutra, Powell não deu um passo à frente em seu discurso, mas reforçou a mensagem que passou durante seu depoimento ao Congresso americano, na semana passada, de que combater a inflação é mais importante que a desaceleração econômica.
“Powell indica que está aberto à possibilidade de recessão e mostrou que os juros precisam ir para o território restritivo rapidamente para evitar que o cenário de inflação alta se mantenha por um longo tempo. Ele disse que existe o risco do aperto monetário ser excessivo, mas deixou claro que não é isso que o preocupa”, disse Dutra, para quem a postura de Powell é a de quem quer trazer de volta rapidamente a estabilidade de preços.
O economista estima que já na reunião de julho o Fed irá elevar o juro novamente em 0,75 ponto percentual, trazendo a taxa para 2,25% a 2,50%, em torno da zona considerada neutra. Nas próximas reuniões, de setembro, novembro e dezembro, Dutra estima altas de 0,50 ponto em todas elas, fazendo com que o juro americano termine o ano em 4%.
Na opinião de Diogo Saraiva, economista e sócio da Blueline, Powell está empenhado em não repetir os erros da década de 1970, quando a inflação explodiu por falta de determinação do BC na condução da alta dos juros.
Fonte: Valor Econômico
