Por Gabriela Ruddy — Do Rio
28/10/2022 05h01 Atualizado há 6 horas
Entre os principais temas que devem ser enfrentados pelo presidente do Brasil a partir de 2023, estão alto endividamento das famílias, crescimento da inflação global, a discussão de uma reforma tributária e a gestão dos recursos arrecadados com o aumento dos preços das commodities no mercado internacional, disseram especialistas do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) e do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP).
Um dos desafios será a conjuntura internacional, que se alterou com a pandemia e a guerra na Ucrânia, num cenário de maior inflação e desorganização das cadeias produtivas. “O próximo governo enfrentará um mundo que é de vento em proa, diferente do que vimos nos últimos anos”, disse ontem Livio Ribeiro, pesquisador associado do FGV Ibre, em evento no IBP sobre os desafios para o vencedor das eleições.
Segundo o pesquisador, a tendência é que a inflação continue alta no mundo, o que deve manter os juros elevados por mais tempo. “Esse momento inflacionário tem mais inércia e, portanto, vai precisar de uma restrição [monetária] mais longa. Isso reduz a possibilidade de a economia global fazer um pouso suave”, afirmou.
Ele disse também que a previsão é de continuidade dos preços altos do barril de petróleo, que deve ficar entre US$ 80 e US$ 100 nos próximos dois anos. Nesse contexto, outro tema que o governo precisará enfrentar é o aumento da arrecadação de royalties, participações especiais e tributos desse setor.
De acordo com a pesquisadora e coordenadora do Boletim Macro FGV Ibre, Silvia Matos, historicamente a arrecadação federal e estadual ficava em 1% do Produto Interno Bruto (PIB), mas dados preliminares apontam que esse percentual está acima de 2%, com a alta das commodities este ano. “Isso é um maná. Temos que usar muito bem esses recursos. Por isso, as políticas públicas precisam estar muito bem desenhadas”, disse.
Ela ressaltou a importância do uso de critérios técnicos na definição dessas políticas. “A pergunta é como equilibrar gastos sociais, mas com equilíbrio fiscal. Esse é um desafio para 2023”, afirmou.
Para Silvia, o alto endividamento das famílias também é um desafio a partir de 2023. Ela defendeu que o país precisa de reforma tributária. “Um dos aspectos da elevada ineficiência do Brasil é o regime tributário, que penaliza empresas produtivas e exportações. Isso [a reforma] seria um gol de placa do próximo governo”, disse.
A diretora-executiva corporativa do IBP, Fernanda Delgado, lembrou que, no setor de petróleo e gás, é importante que o governo mantenha o mercado aberto. Para ela, outro tema importante lidar é a decisão de o país assumir uma posição mais agressiva nas relações internacionais sobre a transição energética. “O Brasil tem uma posição privilegiada em relação às emissões no setor de energia.”
Fonte: Valor Econômico


