Por Reuters — De Nova York
26/05/2022 05h02 Atualizado há 5 horas
O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) reduziu pela metade a sua previsão de crescimento do PIB mundial de 2022. Atribuiu a revisão aos efeitos econômicos da invasão da Ucrânia pela Rússia, à reação da China à onda de covid-19 e ao aperto da política monetária nos EUA.
O IIF também prevê que os fluxos de capital para os mercados emergentes encolherão 42% em comparação com o ano passado. O fluxo para o Brasil cairia à metade.
Com base em suas novas estimativas, a entidade que representa o setor bancário mundial disse que o risco de recessão aumentou, enquanto prevê que o crescimento real permanecerá estagnado.
“A fragilidade é abrangente e dá pouca margem a erro”, escreveram economistas do IIF em relatório. “O risco de recessão global é elevado. Nesse contexto, prevemos que os fluxos de não habitantes para os mercados emergentes vão desacelerar significativamente.”
O IIF cortou sua previsão para o crescimento do PIB mundial de 4,6% para 2,3%, enquanto o G-3 – grupo formado por EUA, a zona do euro e o Japão – deverá se expandir à taxa de 1,9% neste ano. O instituto prevê que o crescimento da China desacelerará para 3,5%, em comparação com os 5,1% apontados na estimativa anterior.
“A onda de ômicron na China é mais desestabilizadora do que previamos e terá consequências negativas significativas sobre o crescimento e os fluxos de capital”, afirmou o IIF.
A previsão de crescimento na zona do euro foi reduzida de 3% para 1%, principalmente devido aos efeitos da invasão da Ucrânia. “Importante notar, já que o excedente estatístico de 2021 transportado para este ano é de 1,9 ponto percentual, que esta é uma projeção de recessão, que prevê declínio do PIB no segundo semestre.”
A América Latina deve crescer 2%, um pouco mais do que o previsto antes, devido aos elevados preços das commodities. O IIF prevê também prevê “certo grau de resiliência” dos países exportadores de petróleo do Oriente Médio e do norte da África.
As proibições às exportações de produtos agrícolas na Rússia e na Índia, além da prevista interrupção do plantio e da colheita na Ucrânia, foram citados num contexto em que o IIF alerta para o fato de haver um grande risco de insegurança alimentar global, com o Oriente Médio e a África tendendo a ser mais duramente atingidos.
“Os países asiáticos estão um pouco menos expostos ao choque dos preços dos alimentos, derivado da guerra na Ucrânia, devido às suas dietas mais centradas no arroz, num momento em que os preços do arroz permaneceram relativamente contidos nos últimos anos e parecem, de modo geral, menos afetados pela inflação global dos preços dos alimentos”, disse o IIF.
Os fluxos de capital para os mercados emergentes deverão desacelerar “significativamente”, segundo o relatório. Os fluxos de não habitantes têm previsão de cair para US$ 972 bilhões, em relação ao US$ 1,68 trilhão do ano passado. Essa cifra diminui para US$ 645 quando a China é deixada de fora, total bem inferior ao US$ 1 trilhão de 2021.
Prevê-se que a Rússia registrará saídas de capital de cerca de US$ 29 bilhões, após ter recebido ingressos de mais de US$ 58 bilhões no ano passado, e que a China, o maior destinatário do mundo, deverá absorver US$ 327 bilhões neste ano, em relação aos mais de US$ 668 bilhões computados no ano passado.
México, Argentina e Venezuela estão entre os poucos países latino-americanos com previsão de contabilizar alta do total de ingressos, embora em todos esses casos o aumento tem como base de comparação patamares significativamente reduzidos. Os fluxos de capital para o Brasil se reduzirão praticamente à metade, passando a somar US$ 55,3 bilhões.
Fonte: Valor Econômico