O índice é pressionado por ações que têm forte peso na sua composição, como Vale, Petrobras e bancos.
Por Augusto Decker, Valor — São Paulo
21/09/2022 11h18 Atualizado há 2 horas
O Ibovespa opera em queda enquanto o mercado aguarda as decisões de política monetária do Federal Reserve (Fed), prevista para hoje durante o pregão, e do Banco Central, que sai após o fechamento dos negócios. O índice é pressionado por ações que têm forte peso na sua composição, como Vale, Petrobras e bancos.
Por volta das 13h, o Ibovespa caía 0,48%, aos 111.977 pontos. A mínima intradiária era de 111.574 pontos, enquanto a máxima alcançou os 113.088 pontos. O volume projetado de negócios para o índice no dia era de R$ 17,99 bilhões. Em Nova York, S&P 500 subia 0,52%, aos 3.876 pontos, Dow Jones ganhava 0,49%, para 30.857 pontos, e Nasdaq avançava 0,52%, aos 3.876 pontos.
“A bolsa está em compasso de espera. Todos estão esperando a decisão do Fed e a entrevista do (presidente do Fed) Jerome Powell”, afirma Fernando Bresciani analista de investimentos do Andbank Brasil. “A expectativa é de alta de 0,75 ponto porcentual. O Fed deve continuar sendo duro e a inflação tende a começar a convergir para onde ele quer entre o 4º trimestre deste ano e o primeiro trimestre do ano que vem.” Na entrevista de Powell, investidores procurarão identificar se o tom é mais hawkish (agressivo) ou menos.
Para Bresciani, os olhares de hoje devem ficar mais voltados para o Fed do que para o Comitê de Política Monetária (Copom). “No caso da Selic, a diferença de 13,75% para 14% é marginal. O que deve dar o tom é o exterior.” A expectativa por aqui é que o Banco Central mantenha os juros em 13,75% ao ano.
Outro fator que vem afetando ativos globais hoje é o comentário do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na madrugada. Ele convocou reservistas para o conflito com a Ucrânia e ameaçou um ataque nuclear. Com isso, o dólar alcançou o patamar mais alto em mais de 20 anos em comparação com uma cesta de moedas fortes, e o ouro conseguiu recuperar parte das perdas. O petróleo também começou a subir, mas reverteu a trajetória em seguida.
Com a queda do petróleo, ações de companhias do setor, que contribuíram para manter o Ibovespa em alta nos primeiros minutos do pregão, reduziram os ganhos ou também passaram para o campo negativo. Petrobras PN e Petrobras ON começaram em alta, mas passaram a recuar 0,10% e 0,14%, respectivamente. Já PetroRio ON (+1,06%) e 3R Petroleum (+0,72%) passaram a subir menos do que no início dos negócios.
Ainda entre as commodities, papéis ligados às metálicas trabalhavam em baixa, pressionando a bolsa. Vale ON (-0,66%), CSN ON (-3,59%) e Usiminas PNA (-0,77%) caíam após o minério de ferro registrar a quarta queda consecutiva no mercado à vista com piora nas expectativas de demanda da China e aumento da oferta vinda do Brasil.
A maior alta do índice era Vibra ON (+1,72%), e Hapvida ON (+1,65%) vinha em seguida. “O crescimento da economia beneficia positivamente o setor de saúde”, diz Bresciani. “E nossa economia está indo bem. Vimos que políticas de isenção deram resultado, causaram deflação e nossa economia reage mais do que o esperado.” Hypera ON (+1,22%), Assaí ON (+1,15%) e Rumo ON (+1,17%) também estavam entre os avanços mais intensos.
A maior baixa do índice era BTG Pactual units (-4,69%). “Acredito que seja realização de lucros. O setor financeiro andou muito nos últimos tempos”, afirma Bresciani. Outros papéis de bancos também operavam no campo negativo.
Fonte: Valor Econômico


