O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apelidado de “prévia do Produto Interno Bruto (PIB)”, subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, conforme o Banco Central divulgou nesta quinta-feira (16). Em janeiro, o indicador subiu 0,78%.
O indicador veio levemente acima da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, que apontava para uma alta de 0,55%.
O que é o IBC-Br?
O IBC-Br foi criado pelo Banco Central para acompanhar mensalmente o desempenho da atividade econômica brasileira de forma mais frequente do que o Produto Interno Bruto (PIB), divulgado a cada três meses. Ele reúne uma série de dados sobre a produção de bens e serviços no país, como números da indústria, do comércio, do setor de serviços e da agropecuária, além de incorporar informações do mercado de trabalho e do crédito.
O indicador é conhecido como “prévia do PIB” por ser considerado uma espécie de “termômetro” da economia e uma sinalização preliminar da tendência que o PIB pode seguir.
O PIB, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é mais amplo e detalhado e é divulgado trimestralmente. Já o IBC-Br, por ser divulgado de forma mais frequente, permite um acompanhamento mais dinâmico e atualizado da economia.
E você com isso?
O IBC-Br traz sinais sobre o nível de aquecimento da economia brasileira e, portanto, sobre o quanto existe de pressão inflacionária. Uma atividade robusta indica que mais pessoas estão empregadas e, assim, recebendo renda e consumindo. E esse ambiente costuma vir acompanhado de mais inflação, exatamente o ponto de preocupação no Banco Central.
Portanto, o IBC-Br é mais um dos indicadores analisados pelo BC para orientar suas decisões de política monetária e definir se haverá redução ou elevação da taxa básica de juros, a Selic.
Mas tem uma guerra no meio do caminho…
O problema é que agora há, ainda, uma guerra no meio do caminho. Além das óbvias consequências humanitárias desastrosas que um conflito entre países traz, ele também tem ajudado na escalada do petróleo, que acende um alerta global.
Como o Irã é um dos maiores produtores da commodity do mundo e controla o estreito de Ormuz, um dos principais pontos de distribuição do produto que está fechado a mando dos iranianos, uma guerra envolvendo o país afeta não só a produção, como a distribuição do petróleo. Assim, o preço da commodity vem subindo devido à oferta menor.
Como o petróleo é base para combustíveis e para o transporte de praticamente todos os produtos, quando o barril sobe, empresas pagam mais caro por gasolina, diesel e energia, o que encarece a produção e a distribuição de muitos itens, desde alimentos, roupas e outros bens. O efeito final disso é uma pressão nos preços em geral e, portanto, um aumento na inflação em nível global.
Atualmente, a Selic foi cortada para 14,75% ao ano, mas o Banco Central sinalizou que o ciclo de cortes vai depender do cenário macroeconômico. Na ata do último encontro, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que até a eclosão do conflito, os sinais eram de que a inflação estava cedendo no Brasil. No entanto, as expectativas para a alta dos preços subiram após o início da guerra. Assim, o Copom “julgou apropriado seguir com serenidade e reunir mais informações”.
O tema, portanto, continua no radar do mercado e o futuro da Selic segue em aberto.
Fonte: Valor Investe
