A aproximação da eleição presidencial no Brasil está começando a inquietar os investidores, com diversos gestores de ativos reduzindo a exposição ao real brasileiro e aos títulos locais após uma forte trajetória de alta na operação de carry trade [estratégia financeira baseada no diferencial de taxas de juros entre duas moedas] do país, de acordo com um relatório da Bloomberg.
A moeda brasileira valorizou-se cerca de 6% em relação ao dólar norte-americano este ano, tornando-se uma das moedas de mercados emergentes com melhor desempenho. As elevadas taxas de juros domésticas têm sido uma atração central, permitindo que os investidores obtenham um carry [retorno gerado pelo diferencial de juros] substancial ao financiar posições em moedas de menor rendimento.
Esse atrativo agora está sendo testado à medida que a incerteza política aumenta antes das eleições de outubro.
Os gestores de portfólio da VanEck, David Austerweil e Eric Fine, reduziram posições em renda fixa local brasileira, enquanto Thierry Larose, da Vontobel, mudou para uma posição underweight [com alocação abaixo da média de mercado] no real. Kieran Curtis, da Aberdeen, também tem reduzido a exposição cambial.
Para Curtis, a decisão trata-se menos de prever o resultado da eleição do que de reduzir a vulnerabilidade a um período de maior volatilidade.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, lidera atualmente as pesquisas de opinião e é amplamente visto como o favorito para garantir outro mandato. Os mercados de apostas colocam suas chances em cerca de dois terços, embora algumas pesquisas indiquem que a disputa possa ser consideravelmente mais acirrada.
A perspectiva de uma outra administração Lula reviveu preocupações sobre a trajetória fiscal do Brasil, particularmente se o governo estará disposto ou será capaz de implementar medidas capazes de estabilizar as contas públicas.
Essas preocupações têm precedentes. Uma acentuada perda de confiança dos investidores no final de 2024 levou o real a uma mínima recorde e desencadeou uma ampla onda de vendas (selloff) em ações brasileiras e em títulos de dívida emitidos em moeda local e forte.
Pesquisas recentes já produziram uma reação do mercado. Uma pesquisa mostrando Lula com uma liderança maior do que a esperada sobre Flávio Bolsonaro na terça-feira contribuiu para uma queda do real, que se tornou a moeda de pior desempenho entre 31 principais moedas monitoradas pela Bloomberg.
Os riscos estão sendo refletidos no posicionamento dos fundos de hedge locais. A Ibiuna Investimentos posicionou-se para taxas de curto prazo mais baixas, mas custos de empréstimo de longo prazo mais altos, uma postura que reflete preocupações sobre o panorama fiscal do país. Enquanto isso, a Adam Capital, sediada no Rio de Janeiro, alertou que os yields [rendimentos] reais dos títulos públicos atrelados à inflação subiram acima de 8%, descrevendo esse patamar como insustentável.
O real permaneceu sob pressão no dia seguinte, mesmo enquanto muitas outras moedas de mercados emergentes avançavam.
O mercado de títulos do Brasil também está mostrando sinais de crescente cautela por parte dos investidores. Os yields [rendimentos] subiram, enquanto a demanda nos leilões semanais do Tesouro tornou-se menos consistente. Os mercados de câmbio e de ações mantiveram-se comparativamente resilientes até recentemente, ajudados por um ambiente global favorável para ativos de mercados emergentes.
A atividade de hedge [proteção financeira] no real permanece relativamente moderada em comparação com ciclos eleitorais brasileiros anteriores, de acordo com o State Street. Isso deixa margem para que os investidores aumentem a proteção caso as preocupações políticas se intensifiquem, o que potencialmente exercerá pressão adicional sobre a moeda.
Fonte: HedgeWeek
Traduzido via Gemini

