LONDRES, 23 de junho (Reuters) — A alavancagem dos hedge funds atingiu na semana passada o maior nível dos últimos cinco anos, com especuladores comprando ações de bancos, empresas de trading e seguradoras, segundo dados do Goldman Sachs (GS.N), após a manutenção das taxas de juros nos EUA e pouco antes dos ataques norte-americanos a instalações nucleares iranianas.
O Federal Reserve dos EUA manteve as taxas de juros inalteradas na quarta-feira passada e sinalizou que não está com pressa para iniciar cortes.
No sábado, os EUA atacaram instalações nucleares no Irã, o que impulsionou os preços do petróleo para o maior nível do ano na segunda-feira, com novas altas esperadas diante do temor de que uma retaliação iraniana inclua o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do suprimento global de petróleo bruto.
A alavancagem bruta — uma métrica que indica o volume de negociações dos hedge funds — subiu para cerca de 294%, o maior patamar desde 2020. No início do ano, esse nível era de 271,8%.
Segundo nota aos clientes baseada em dados da corretora principal do Goldman Sachs, os hedge funds aumentaram suas posições vendidas na Europa e na Ásia, enquanto mantiveram uma exposição levemente comprada em ações norte-americanas.
Uma posição vendida (short) aposta na queda do preço de uma ação, enquanto uma posição comprada (long) aposta em sua alta.
As ações do setor financeiro — incluindo bancos, seguradoras e empresas de trading — figuraram entre os setores mais populares na semana passada. Os balanços dessas empresas se beneficiam de taxas de juros mais elevadas, especialmente os bancos, que recebem pagamentos ao emprestar dinheiro para empresas e consumidores.
Os hedge funds compraram ações de empresas financeiras na América do Norte e na Europa, mas mantiveram uma leve posição vendida nesses papéis na Ásia, segundo a nota do Goldman Sachs.
A nota também informou que os hedge funds encerraram a semana com uma posição líquida comprada em ações do setor de energia.
Os retornos globais com seleção de ações subiram mais de 4% no acumulado do ano, com os retornos na Europa ultrapassando 10%. Os retornos sistemáticos globais chegaram a quase 12%, afirmou o relatório.
Fonte: Reuters
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