“Ministro da Economia não corta nada. Quem corta é a Casa Civil”, se defendeu
Por Alessandra Saraiva e Paula Martini, Valor — Rio
14/09/2022 14h26 Atualizado há 20 horas
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quarta-feira que não haverá corte no programa Farmácia Popular. Ele informou ainda ter falado sobre o assunto com o presidente Jair Bolsonaro hoje sobre o tema.
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“Ninguém vai cortar a Farmácia Popular. RP9 vai pagar por isso ou vamos buscar em outro lugar. Isso será objeto de mensagem presidencial”, garantiu Guedes. RP9 é como ficaram conhecidas as emendas de relator que integram o que ficou conhecido como orçamento secreto.
“Ministro da Economia não corta nada. Quem corta é a Casa Civil”, se defendeu. “Numa dessas, corta-se a Farmácia Popular. Evidente que o presidente tem compromisso. Hoje, ele me liga, ‘como que pode um negócio desse?’, cheio de grana de um lado e de outro faltando a Farmácia Popular”, disse.
O ministro foi claro em dizer que o programa não terá corte e que serão encontrados recursos para manter as características atuais do programa.
“Vai haver uma mensagem presidencial. A mesma que vai dizer ‘olha, o Auxílio Brasil vai seguir em R$ 600’. Nós vamos aprovar imposto sobre lucros e dividendos e vamos seguir com Farmácia Popular. ‘Vamos pegar esses recursos aqui’”, disse. “Essa mensagem presidencial vai corrigir desencaixes que democracia permite” completou.
Em sua fala, Guedes defendeu também a atuação do governo na condução do orçamento.
Ele voltou a mencionar a alocação extraordinária de recursos públicos durante a pandemia, para combater a crise na economia causada da pandemia de covid. “Fizemos como qualquer democracia faz: está aqui dinheiro para saúde e sem aumento (para servidor). Acabou a guerra, está aqui o aumento”, disse.
“Nós estamos aprendendo a fazer encaixe da classe política. Há desacertos [com o Congresso]. É o político que diz para onde vai o dinheiro e impõe cortes do lado de cá. Essa é a decisão que toda a classe política faz em todos os tempos”, afirmou. “Durante a guerra da covid, a guerra sanitária, travamos despesas. Não faltou dinheiro para saúde e no ano seguinte não houve inchaço na máquina” afirmou.
Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, o governo reduziu em 60% verba para distribuição gratuita de medicamentos e produtos do Farmácia Popular no Orçamento da União de 2023. Eram R$ 2,04 bilhões no orçamento de 2022, e passou para R$ 804 milhões na proposta de lei orçamentária de 2023, segundo o jornal.
Mais cedo, o portal G1 informou que o presidente Jair Bolsonaro ligou para Guedes e pediu para que ele revertesse decisão.1 de 1 — Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
— Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Fonte: Valor Econômico