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Diante da rápida depreciação cambial dos últimos dias e da contínua piora nas expectativas de inflação, grandes instituições financeiras do Brasil esperam que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central acelere o ritmo de alta de juros hoje. Em revisões de cenário publicadas às vésperas da decisão, Itaú Unibanco, BTG Pactual e Banco do BrasilCotação de Banco do Brasil esperam que a autoridade monetária eleve a Selic em 1 ponto percentual, ao passo que Safra e Santander projetam aumento de 0,75 ponto. A exceção é o BradescoCotação de Bradesco, que projeta manutenção no ritmo de aperto em 0,5 ponto.
Para o Banco do BrasilCotação de Banco do Brasil, o câmbio em nível persistentemente mais depreciado representa um desafio adicional para a condução da política monetária, em um contexto de expectativas de inflação desancoradas e projeções acima da meta.
Desde a última decisão do Copom, o câmbio sofreu forte depreciação, passando de R$ 5,67 para R$ 6,04. Já a mediana das projeções para o IPCA de 2025 no Focus subiu de 4,03% para 4,59%, acima, portanto, do teto da meta.
“Julgamos que, neste contexto, faz-se necessária uma reação mais ativa da política monetária, que deve se traduzir numa aceleração do ritmo do aperto monetário. Das duas alternativas mais prováveis de aumento do ritmo (1 ponto ou 0,75 ponto), avaliamos que a elevação em 1 ponto nas próximas duas reuniões seria a mais indicada, reforçando o compromisso do BC em buscar a convergência do IPCA à meta no horizonte relevante”, afirmam os economistas do BB.
O BB também espera uma alta final de 0,5 ponto em março de 2025, com a Selic sendo mantida em 13,75% até o fim de 2025. O banco não descarta, no entanto, uma elevação de 0,75 ponto, “em especial se houver alguma dificuldade de encontrar consensos dentro do Copom”, ponderam.
Em revisão de cenário publicada ontem, o BTG Pactual também passou a esperar uma elevação de 1 ponto na Selic. De acordo com os economistas Claudio Ferraz, Bruno Martins e Bruno Balassiano, a deterioração nas projeções de inflação revelada no Focus, inclusive para horizontes de prazo mais longo, reforça a necessidade de um aperto mais intenso na Selic.
“A forte deterioração das expectativas, que se estende além do horizonte relevante da política monetária, sinaliza uma perda significativa de credibilidade no regime de metas de inflação. Além disso, nas condições atuais, percebemos riscos evidentes de maior desancoragem à frente. Considerando o cenário de atividade econômica resiliente, a deterioração da inflação que prevemos para 2025 e 2026 e a desancoragem mais significativa das expectativas de inflação na margem, reavaliamos nossas expectativas para a reunião do Copom de dezembro”, afirmam.
O BTG também passou a esperar uma Selic mais alta ao fim do ciclo, alcançando os 14,5% em junho de 2025 e permanecendo nesse patamar até o fim do ano.
Outra grande instituição que revisitou sua projeção nesta semana foi o Itaú Unibanco. Citando a depreciação cambial, a alta das expectativas de inflação e a atividade econômica resiliente, o banco passou a esperar uma alta de 1 ponto na reunião do Copom de hoje.
“A taxa de câmbio, variável relevante para as perspectivas de inflação, chegou à sua máxima histórica, acumulando depreciação intensa (e bastante descolada das moedas de mercados emergentes). As expectativas de inflação tiveram alta acentuada, seja nas métricas implícitas em preços de ativos, seja na pesquisa Focus, onde as medianas das projeções para 2025 e 2026 tiveram saltos comparáveis a poucos episódios do passado, inclusive na data crítica utilizada como referência para a decisão desta semana. Esse cenário preocupante requer uma postura mais vigorosa por parte da autoridade”, concluem.
O Itaú ainda espera que o Copom sinalize que antevê uma alta na mesma magnitude na reunião seguinte, no início de 2025. Ainda que os economistas do banco não façam uma projeção para a Selic ao fim do ciclo, ressaltam que a taxa deve ficar acima da atualmente projetada pelo banco, de 13,5%.
O mercado de opções digitais, no fechamento de ontem, já apontava uma chance maior de aperto mais agressivo pelo Copom, com 61% de possibilidade de um aumento de 1 ponto contra 30% de chance de uma alta de 0,75 ponto.
Não há nada que o BC possa fazer para impedir que a inflação dos próximos meses seja pressionada”
O cenário de alta de 0,75 ponto – que era o consenso das estimativas do mercado na pesquisa divulgada pelo Valor na segunda-feira, ainda é defendido por bancos importantes, como Safra e Santander.
“Essa decisão reflete, dentre outros fatores, a deterioração do cenário e das projeções da autoridade monetária desde a última reunião”, aponta a equipe de economistas do Safra, liderada pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.
É o mesmo cenário-base do Santander que, no entanto, vê riscos de um “tratamento de choque” na política monetária. “A política fiscal é ‘ativa’ na fixação de preços, tornando a convergência para a meta ainda mais desafiadora”, afirma o economista Marco Antonio Caruso. No entanto, para ele, comentários recentes do futuro presidente do BC, Gabriel Galípolo, indicam um ritmo um pouco menos acelerado para a trajetória da Selic.
O BradescoCotação de Bradesco é o único dos grandes bancos que espera a manutenção do ritmo de aperto em 0,5 ponto. Para o economista-chefe da instituição, Fernando Honorato, uma aceleração do ritmo não resolverá os problemas enfrentados pela economia. “A essa altura, não há nada que o BC possa fazer para impedir que a inflação dos próximos meses seja pressionada pelo repasse do câmbio, pela elevação dos preços de proteínas e pela deterioração das expectativas”, afirma.
“Essas, por sua vez, devem seguir ainda mais desancoradas com as incertezas fiscais – que levarão alguns meses para serem dirimidas, a depender da intensidade dos ajustes do pente-fino e das eventuais modulações no Congresso da agenda de gastos ou do IRPF. Adicionalmente, não haverá ajustes nas expectativas enquanto não houver melhora na inflação corrente. As expectativas de até um ano à frente são bastante influenciadas pelos dados correntes, e não há perspectiva de melhora no curto prazo”, aponta a equipe de economia do BradescoCotação de Bradesco.
O banco nota que, sem apoio da política fiscal, as altas de juros recentes não têm contribuído para a apreciação do câmbio. Assim, um eventual choque de juros apenas ampliará a volatilidade do crescimento econômico.
“Os eventos que ocorreram desde o último Copom são alheios à política monetária e, a essa altura, acelerar o passo pode agravar o equilíbrio de riscos na economia, sem que haja ganhos substanciais para a inflação, vis-à-vis a estratégia alternativa. A serenidade, a persistência e a convergência gradual, ao ritmo de 0,5 ponto, ainda parecem a melhor escolha para lidar com o momento peculiar e com a incerteza que vivemos”, afirma Honorato.
Fonte: Valor Econômico