Em um momento no qual o mercado volta a mostrar euforia com a tese de inteligência artificial (IA), o Goldman Sachs se juntou ao coro de instituições financeiras que esperam um “bull market” da bolsa americana e passou a projetar que o S&P 500 encerrará o ano em 8 mil pontos, cerca de 8% acima do patamar atual.
O grande direcionador da valorização, segundo os estrategistas do banco, será o crescimento contínuo dos lucros, tal qual foi visto até o momento em 2026. O S&P 500 já subiu quase 10% desde o início do ano e avançou mais de 18% desde as mínimas recentes registradas em março, logo depois do início da guerra no Irã.
“A força dos lucros tem sido o principal diferencial entre a recente valorização do mercado e outras altas discretas semelhantes no passado”, disseram os estrategistas do banco, liderados por Ben Snider.
O Goldman Sachs também elevou as projeções de lucro por ação (EPS) do S&P 500 para 24% até o fim deste ano e 13% em 2027. E, segundo os estrategistas do banco, quase metade deste crescimento será atribuído à empresas de infraestrutura de IA, como hyperscalers e companhias ligadas à infraestrutura de energia.
Os riscos para o cenário construtivo do Goldman Sachs encontram-se majoritariamente ancorados no cenário macroeconômico e político, embora o banco ainda acredite que eles serão compensados. “Esperamos que os contratempos macroeconômicos sobre os lucros sejam mais do que compensados pelo boom de investimentos em IA”, argumentaram.
Os estrategistas alertam que o choque do petróleo, causado pela guerra dos Estados Unidos no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, deve resultar em menor consumo, maior pressão sobre as margens de lucro, inflação mais alta e menor afrouxamento monetário pelo Federal Reserve (Fed).
“Os riscos de queda para a perspectiva econômica também ameaçam criar as condições para um aperto da política monetária e decepções no crescimento que caracterizaram o fim de mercados sobrevalorizados no passado”, dizem. Além disso, as altas estimativas de despesas (capex) também criam um obstáculo para sustentar o ritmo de ganhos, segundo os estrategistas.
Fonte: Valor Econômico