A compra e venda de galpões movimentou R$ 6 bilhões no primeiro semestre, segundo levantamento da Cushman & Wakefield Foto: Werther Santana/Estadão – 28/11/2025
Duas gigantes do mercado imobiliário global acabam de fechar negócio envolvendo empreendimentos logísticos no Brasil por meio de suas subsidiárias locais. A Coluna apurou que a canadense Brookfield vai desembolsar R$ 1,4 bilhão para a compra de oito centros logísticos que pertencem à norte-americana Marq (antiga GLP), sob gestão da Ares Management.
A negociação vem sendo conduzida desde o ano passado, segundo fontes. O acordo envolve quatro empreendimentos em São Paulo e outros quatro no Rio de Janeiro, com uma área bruta locável (ABL) total de 560 mil m² – equivalente a cerca de 70 campos de futebol. Procuradas, a Brookfield não fez comentários, e a Marq não respondeu até a publicação desta nota.
Esse tipo de imóvel é muito procurado por empresas de comércio eletrônico, que têm espalhado centros de distribuição de mercadorias ao redor do País. É isso que atrai os investidores de propriedades comerciais, que ganham dinheiro com os aluguéis desses imóveis.
Galpões estão alugados para Shopee e Colgate
No pacote negociado pelas gigantes estão ativos em localidades estratégicas, a maioria com 100% da área alugada para grandes empresas. São os casos dos centros logísticos Dutra I, em Guarulhos (SP), ocupado pela Shopee; Imigrantes, em São Bernardo do Campo (SP), com a Colgate; e Itatiaia (RJ), com a Procter & Gamble.
Para a Brookfield, a aquisição representa uma expansão importante no setor logístico, onde já conta com um conjunto de empreendimentos com área total de 1,25 milhão m² e agora chegará a 1,8 milhão m², tornando-se uma das líderes do segmento. Além disso, a transação garante sua entrada no mercado logístico do Rio de Janeiro, onde já detém prédios de escritórios.
Por sua vez, a Marq é a maior desenvolvedora de galpões do Brasil, com 45 empreendimentos, o equivalente a 1,9 milhão de m² (indo a 1,3 milhão m² após a venda). O grupo tem também terrenos com projetos para o desenvolvimento de mais 900 mil m² em novos galpões. O foco da sua atuação é o raio de até 30 quilômetros ao redor da cidade de São Paulo, maior polo consumidor do Brasil. A venda dos ativos agora visa pagar dividendos aos investidores e gerar caixa para os novos projetos, apurou a Coluna.
Setor tem poucos espaços vagos
O setor de logística está com a menor quantidade de espaços vagos na sua história, elevando os aluguéis e motivando novos projetos. De olho nisso, investidores movimentaram R$ 6 bilhões com a compra e venda desses imóveis no primeiro semestre, segundo levantamento da Cushman & Wakefield.
E o movimento continua neste semestre. Em julho, o fundo de investimento imobiliário TRX Real Estate fez a compra de três complexos logísticos numa só tacada, pelo valor de R$ 1,43 bilhão. Os empreendimentos pertenciam à gestora KSM Realty e estão situados em Guarulhos (SP) – uma das áreas mais valorizadas nesse setor, devido à proximidade de rodovias, do aeroporto e da capital paulista.
Fonte: Estadão
