Parvus Asset Management, que entre seus alvos anteriores já teve nomes como Ryanair, Flutter Entertainment, UniCredit, Accor e na Ipsen, quer ter influência na indicação do novo chefe da Novo Nordisk
O fundo hedge ativista Parvus Asset Management está montando uma participação na Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, enquanto o laboratório farmacêutico está à procura de um novo executivo-chefe, após a forte queda de suas ações.
O fundo hedge londrino, que entre seus alvos anteriores já teve nomes como a empresa aérea Ryanair e a empresa de apostas Flutter Entertainment, quer ter influência na indicação do novo chefe da Novo Nordisk, segundo fontes a par do assunto.
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As ações da Novo Nordisk acumulam desvalorização de 50% nos últimos 12 meses. Uma combinação de resultados decepcionantes nos ensaios clínicos de seu novo medicamento contra a obesidade e de vendas abaixo das previsões levaram os investidores a concluir que a empresa vem perdendo terreno para a rival americana Eli Lilly no mercado de fármacos para a perda de peso.
Em maio, a empresa anunciou que o executivo-chefe Lars Fruergaard Jørgensen deixaria o cargo antes do planejado, embora ele permaneça no comando até que um sucessor seja encontrado. Apesar de não ser mais a maior empresa de capital aberto da Europa, a Novo Nordisk ainda possui um valor de mercado de US$ 334 bilhões.
A Parvus não revelou o tamanho de sua participação na Novo Nordisk e, pelas regras de valores mobiliários da Dinamarca, não precisa fazê-lo se possuir menos de 5% da companhia. Segundo dados da Bloomberg, o fundo ativista possui uma participação acionária total de 5,2 bilhões de libras esterlinas (US$ 6,6 bilhões).
A Novo Nordisk, a Parvus e a Fundação Novo Nordisk — maior acionista da farmacêutica — não quiseram comentar as informações.
A Fundação Novo Nordisk detém a maioria dos direitos de voto na empresa, o que dificulta que um ativista influencie seus planos. O presidente da fundação, Lars Rebien Sørensen, que já comandou a farmacêutica, passou a integrar o conselho de administração como observador, como parte do processo de escolha de um sucessor.
Em maio, a Novo Nordisk reduziu suas projeções de vendas e lucros, apontando como motivo a rápida expansão de medicamentos genéricos contra a obesidade nos EUA. Essas alternativas mais baratas foram temporariamente permitidas durante um período de escassez e acabaram reduzindo a participação de mercado das versões de marca.
Investidores ativistas já conseguiram pressionar empresas mesmo com participações acionárias pequenas: os ativistas americanos Starboard Value e Irenic Capital, por exemplo, travaram uma campanha de vários anos contra a News Corp., controladora do “The Wall Street Journal”, apesar de a família Murdoch ter participações com direitos especiais.
A Parvus foi cofundada em 2004 por Edoardo Mercadante, ex-gestor de fundos do Merrill Lynch. Ganhou fama ao se opor com sucesso a duas transações, a proposta de fusão da casa de apostas britânica William Hill com a rival Amaya e a oferta da firma britânica de segurança G4S para adquirir a empresa dinamarquesa de administração de instalações ISS por 5,2 bilhões de libras.
Além da Flutter e da Ryanair, a Parvus também já montou posições no banco italiano UniCredit, na rede hoteleira francesa Accor e na Ipsen, outro laboratório farmacêutico dinamarquês.
Fonte: Valor Econômico