Por Valor, Com Agências Internacionais, Valor — São Paulo
15/01/2023 21h45 Atualizado há 11 horas
Uma fragmentação severa da economia global, após décadas de crescente integração econômica, poderá reduzir a produção econômica global em até 7%. As perdas, porém, podem chegar de 8% a 12% em alguns países, se a tecnologia também for dissociada, disse o Fundo Monetário Internacional (FMI) em um novo relatório, divulgado neste domingo (15).
O FMI disse que mesmo uma fragmentação limitada pode cortar 0,2% do PIB global, mas que mais trabalho é necessário para avaliar os custos estimados para o sistema monetário internacional e a rede de segurança financeira global (GFSN).
O relatório informa ainda que foram observados estabilidade nos fluxos globais de bens e capital após a crise financeira global de 2008-2009 e aumento nas restrições comerciais observado nos anos subsequentes.
“A pandemia de covid-19 e a invasão da Ucrânia pela Rússia testaram ainda mais as relações internacionais e aumentaram o ceticismo sobre os benefícios da globalização”, disse o relatório da equipe.
Ele disse que o aprofundamento dos laços comerciais resultou em uma grande redução da pobreza global por anos, ao mesmo tempo em que beneficiou os consumidores de baixa renda nas economias avançadas por meio de preços mais baixos.
O desmembramento dos vínculos comerciais “teria um impacto mais adverso nos países de baixa renda e nos consumidores menos abastados nas economias avançadas”, afirmou.
Restrições à migração transfronteiriça privariam as economias anfitriãs de habilidades valiosas, ao mesmo tempo em que reduziriam as remessas nas economias de origem de migrantes.
Fluxos de capital reduzidos impactariam no investimento estrangeiro direto, enquanto um declínio na cooperação internacional representaria riscos para o fornecimento de bens públicos globais vitais.
O FMI disse que os estudos existentes sugerem que quanto mais profunda a fragmentação, mais profundos os custos, com o desacoplamento tecnológico ampliando significativamente as perdas das restrições comerciais.
Ele observou que as economias de mercado emergentes e os países de baixa renda provavelmente correm maior risco à medida que a economia global mudou para mais “regionalização financeira” e um sistema de pagamento global fragmentado.
“Com menos compartilhamento internacional de riscos (a fragmentação econômica global) pode levar a maior volatilidade macroeconômica, crises mais severas e maiores pressões sobre os amortecedores nacionais”, afirmou. Também poderia enfraquecer a capacidade da comunidade global de apoiar países em crise e complicar a resolução de futuras crises de dívida soberana.
Fonte: Valor Econômico

