Varejo do segmento investe em aplicativos de vendas como um canal de contato estratégico com o consumidor
Por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo
07/04/2022 05h04 Atualizado há 6 horas
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Marcelo Dantas, da Farmarcas: app para realizar entregas e gerir estoques — Foto: Divulgação
O faturamento do varejo farmacêutico passou de R$ 137,3 bilhões em 2020 para R$ 152,1 bilhões em 2021, crescimento de 10,8%, de acordo com a IQVIA, empresa que audita os dados do setor. A fim de garantir que esse ritmo continue, entidades e companhias do segmento investem em aplicativos de vendas como um canal de contato estratégico com o consumidor. O movimento ganhou força na pandemia por conta de usuários interessados em fazer compras a distância.
Criado pela Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e a Associação Multimarcas de Farmácias e Drogarias (Farmarcas), que reúnem 12.098 estabelecimentos, o aplicativo e-Delivery chegou ao mercado em fevereiro. De acordo com Marcelo Dantas e Ney Santos, diretores de inovação, respectivamente, da Farmarcas e da Febrafar, o investimento estimado nos seis primeiros meses do projeto alcançou R$ 2 milhões e o plano é aplicar mais R$ 7 milhões até o final do ano. “A primeira fase da implantação inclui captação de clientes e ações de conscientização nos pontos de venda”, diz Santos.
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Para Dantas, da Farmarcas, além de realizar entregas para o consumidor, o app pretende juntar os sistemas de estoque e de precificação dos pontos de venda. O público alvo da aplicação vai reunir 5,3 mil PDVs integrados em tempo real, detalha.
Na parte de ofertas, um dos objetivos é ampliar as estratégias de fidelização de clientes das farmácias. “Cada lojista pode criar ofertas segmentadas”, afirma. Em uma segunda etapa, a ideia do app é usar inteligência artificial. “Vamos entender melhor os interesses dos consumidores e indicar sugestões segundo cada perfil de compra.” Ao acessar o app, o usuário seleciona a loja e o sistema carrega o estoque do ponto escolhido.
“Não criamos uma solução de prateleira, mas uma ferramenta aderente à realidade das associadas”, afirma Santos. A Farmarcas fechou fevereiro com 12 redes e 1,3 mil farmácias. Já a Febrafar tem 59 associadas que respondem por 12 mil lojas. Cada unidade opera, em média, com oito mil SKU’s (diferentes itens do estoque).
O plano indica que o app terá 1,3 mil farmácias ativas até o final de abril e duas mil em dezembro – eram apenas cinco, em março, no projeto piloto. Foram feitos 226 downloads até a última semana de março, com um tíquete médio de compras de R$ 23,24.
Na Pague Menos, rede de farmácias com 1,1 mil lojas nos 26 Estados e no Distrito Federal, um novo app também foi desenhado ao longo do segundo semestre de 2021 e finalizado este ano. Um dos recursos permite que o consumidor “favorite” produtos e monte uma tela personalizada.
“Também mostramos as lojas com estoques da mercadoria pesquisada, promoções exclusivas no app e no site”, explica Samir Mesquita, diretor de digital da Pague Menos. A facilidade reúne dez mil SKUs da rede e mais 20 mil itens em um sistema de marketplace, vendidos e entregues por lojas parceiras. Sem abrir números, Mesquita diz que o app acumula o dobro de downloads da versão anterior. Na primeira versão do app, 80 lojas realizavam entregas, mas esse número triplicou, destaca.
O executivo diz que 60% do consumo vem de mulheres, com tíquete médio de R$ 120. “Em breve, teremos pagamentos via Pix, agendamento e alertas de notificações de exames marcados no Clinic Farma [operação de atendimento de saúde da Pague Menos]”.
As vendas originadas nos canais on-line da empresa totalizaram R$ 623,4 milhões em 2021, um salto de 85,3% na comparação com o ano anterior – o crescimento do mercado digital do varejo farmacêutico no mesmo período é estimado em 51,3%, compara Mesquita, baseado em medição da IQVIA. A participação de vendas do app no e-commerce da rede é de 20%.
Na visão de Yago Ruegg, gerente comercial do Farmácias APP, aplicativo de vendas on-line de saúde e beleza criado em 2017, a facilidade pode dinamizar a receita dos varejistas ao se tornar uma extensão do balcão da loja. “É possível atender ainda mais consumidores por meio do delivery e do ‘compre e retire’, opção que tem se firmado como uma maneira de ampliar o público no ponto físico.”
O app lista mais de 34 milhões de ofertas em três mil farmácias cadastradas – eram 500 em 2021. A base de clientes tem 250 mil usuários, quase 70% a mais do que em 2020, sendo 56% de mulheres, e o tíquete médio é de R$ 47.
Fonte: Valor Econômico