As vendas do varejo farmacêutico cresceram 7,1% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, a Sindusfarma. O ritmo ficou abaixo da alta de 9,1% registrada em julho.
Na indústria farmacêutica, as vendas, ou sell-in, avançaram 5,9% em agosto, após crescimento de 9,3% no mês anterior. A leitura sugere uma perda de fôlego do mercado, embora não indique, por si só, uma mudança estrutural na demanda por medicamentos e produtos de saúde.
No trimestre encerrado em agosto, o sell-out cresceu 9,1% em relação ao mesmo período de 2025. Já o sell-in avançou 7,9%.
Listadas podem crescer acima do mercado
O Banco Safra avalia que os dados consolidados da Sindusfarma não devem capturar integralmente os ganhos de participação de mercado das companhias listadas. A expectativa é de que essas empresas registrem crescimento entre 8% e 16% no terceiro trimestre de 2026.
A análise considera que redes com maior escala, expansão regional e execução operacional consistente tendem a sustentar vendas acima da média do setor.
Nesse cenário, uma desaceleração pontual do mercado não elimina a possibilidade de avanço relevante das principais companhias abertas.
Raia Drogasil e Panvel concentram atenção
O Safra mantém visão positiva para o setor farmacêutico e destaca Raia Drogasil (RADL3) e Panvel (PNVL3) entre as empresas com potencial para manter crescimento sólido em 2026.
A Panvel (PNVL3) segue fortalecendo sua presença na região Sul, ao mesmo tempo em que busca ampliar a rentabilidade operacional. A combinação entre expansão geográfica e evolução da margem EBITDA sustenta a leitura construtiva para a companhia.
Para a Raia Drogasil (RADL3), a expectativa é de continuidade do crescimento acima da média do varejo farmacêutico, apoiada por escala, capilaridade e execução comercial.
Maio reforça leitura sobre o setor
O Safra observa que uma dinâmica semelhante ocorreu em maio. Naquele mês, o sell-out cresceu 7,8% e o sell-in avançou 5,1%, em base anual. Ainda assim, as companhias listadas reportaram crescimento entre 9% e 18% no segundo trimestre de 2026.
O histórico recente reforça a avaliação de que os dados mensais da indústria devem ser interpretados com cautela. Oscilações no crescimento agregado não impedem que empresas com estratégias comerciais mais eficientes ampliem participação de mercado.
Pague Menos avança com turnaround da Extrafarma
O Safra também mantém perspectiva favorável para Pague Menos (PGMN3). A análise destaca a evolução do processo de reestruturação da Extrafarma, empresa não listada controlada pela companhia.
A melhora do desempenho consolidado, observada nos trimestres anteriores, reforça a confiança na captura de ganhos operacionais e na evolução dos resultados. A execução do turnaround da Extrafarma permanece como um dos principais vetores para a tese de Pague Menos (PGMN3).
Hypera exige leitura mais específica
Para Hypera (HYPE3), os dados da Sindusfarma têm relevância limitada. A entidade ainda não divulgou informações sobre a evolução do mercado de medicamentos não patenteados, segmento importante para a companhia.
Por isso, a leitura sobre Hypera (HYPE3) depende de indicadores adicionais, que permitam acompanhar com maior precisão a dinâmica de demanda e a evolução das categorias em que a empresa atua.
Fonte: O Especialista