A inteligência artificial (IA) deve abrir uma nova fonte de receita para as agências de relações públicas. A executiva-chefe (CEO) global da Allison Worldwide, Wendy Lund, estima que os serviços voltados à presença de marcas nas respostas da ferramenta possam elevar em cerca de 30% o faturamento da companhia até o fim de 2028.
Parte do grupo americano Stagwell, a Allison abriu há dois meses operação no Brasil com dois clientes: Itaú, que era atendido pela Weber Shandwick, agência do Omnicom Group, e Vibra.
“Agora temos a comprovação que sempre buscamos: o trabalho de relações públicas muda a narrativa e influencia a resposta final para o consumidor”, afirmou Lund ao Valor, durante visita a São Paulo na semana passada. O GEO, sigla em inglês para otimização para mecanismos generativos, também entrou na oferta de operações de grupos como Publicis e Omnicom Media no Brasil.
Desde o início do ano, a Allison reúne especialistas em IA e GEO em uma equipe que atende os mercados da rede. Lund diz que a procura pelo serviço cresceu e diz perceber reflexos nas vendas das empresas atendidas.
A companhia usa ferramentas próprias para identificar as fontes citadas nas respostas de grandes modelos de linguagem (LLMs), como ChatGPT, Gemini e Claude. “A partir desse diagnóstico, podemos orientar o trabalho: vemos como os clientes estão presentes na IA e como os LLMs enxergam cada marca, mas também como apresentam as decisões de consumo”. Essa capacidade de mensuração, disse, pode ampliar o peso das relações públicas nas decisões de negócio.
O escritório de São Paulo é o primeiro a operar sob a marca Allison na América Latina. Com ele, a companhia soma 16 escritórios e cerca de 600 funcionários no mundo. Entre as empresas atendidas globalmente pela Alisson estão AB InBev, Microsoft, Qualcomm e Samsung. A rede também avalia uma expansão para o México em 2027.
O Stagwell já mantinha no Brasil a agência de relações públicas Pros, adquirida em 2024 e integrada à rede Allison. A Pros seguirá com um trabalho mais concentrado em marcas de consumo, enquanto a Allison, comandada no país pela executiva-chefe (CEO) Ana Laura Sivieri, ex-Braskem, terá maior foco em comunicação corporativa e em contas internacionais. A equipe inicial da nova operação reúne 25 profissionais.
Mesmo com um cenário global conturbado, com a imposição de tarifas alfandegárias pelos Estados Uidos e a guerra no Irã, a CEO prevê expansão de cerca de 25% na receita obtida com os 15 maiores clientes da Allison neste ano. No Brasil, a projeção é de aumento de 30% em 2026. Até 2030, a executiva espera dobrar os negócios da agência tanto globalmente quanto no país.
Lund observa que a IA pode, no entanto, baratear serviços que as agências já oferecem. “As atividades que podem ser realizadas pela IA tendem a perder valor – ou, melhor, a custar menos – à medida que a tecnologia avança e é aperfeiçoada”. Para ela, isso deve impactar, principalmente pesquisas, tarefas administrativas e produção de textos. Sua expectativa é deslocar profissionais dessas funções para trabalhos que exigem conhecimento especializado, como gestão de crises.
Outra aposta da Allison para os próximos meses é na área de comunicação em saúde. A executiva, que também ocupa a vice-presidência de saúde do Stagwell, trabalhou por mais de três anos como diretora de clientes da área de saúde do grupo britânico WPP. Ela cita fatores como a busca crescente por informações médicas online e o avanço dos medicamentos da classe GLP-1. Lund projeta que saúde responda por mais de 25% dos negócios globais da Allison em cinco anos.
No primeiro semestre de 2026, a receita líquida da área de comunicação do Stagwell cresceu 10,7%, para US$ 208,9 milhões. No consolidado, o grupo registrou receita líquida de US$ 1,22 bilhão, alta de 4,6%, e prejuízo líquido atribuível aos acionistas de US$ 21,1 milhões, ante US$ 8,2 milhões um ano antes.
Fonte: Valor Econômico