As ações da Kodiak Sciences mais do que dobraram nesta segunda-feira (28) depois que dois medicamentos experimentais para doenças oculares obtiveram sucesso em um estudo de fase avançada, posicionando a empresa biofarmacêutica para levar seu primeiro produto ao mercado.
A Kodiak Sciences anunciou que o Zenkuda e o KSI-501, dois tratamentos experimentais para a degeneração macular relacionada à idade do tipo úmida, atingiram o objetivo principal em um estudo de fase avançada. O Zenkuda, em particular, demonstrou um perfil que pode representar um “novo padrão de tratamento”, proporcionando alívio imediato após a administração, além de benefícios terapêuticos duradouros.
As ações dispararam 142%, para US$ 78,24, caminhando para o maior avanço percentual em um único dia de sua história. O papel acumulava alta de 16% no ano antes da sessão desta segunda, desempenho ligeiramente superior ao do índice de pequenas empresas Russell 2000, do qual faz parte.
A Kodiak Sciences combinou os dois medicamentos experimentais em um único estudo com um grupo de controle compartilhado, em vez de conduzir dois ensaios clínicos separados e dispendiosos de fase 3. Os candidatos foram comparados ao Eylea, da Regeneron Pharmaceuticals, atualmente considerado o padrão de tratamento. Os pesquisadores buscavam comprovar não inferioridade, ou seja, que os medicamentos fossem pelo menos tão eficazes quanto o Eylea na recuperação da visão dos pacientes após um ano de tratamento.
As ações da Regeneron caíam 2,7%, para US$ 767,20, nesta segunda-feira.
Tanto o Zenkuda quanto o KSI-501 têm como alvo uma proteína responsável pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais e com vazamentos no olho, sendo que o KSI-501 oferece um mecanismo adicional para suprimir a inflamação. Embora o estudo buscasse apenas comprovar não inferioridade em relação ao Eylea, o verdadeiro sucesso comercial dependerá de quão bem os medicamentos conseguirão se diferenciar por meio de maior durabilidade ou intervalos mais longos entre as doses.
A Kodiak Sciences estima que o mercado global de medicamentos para doenças vasculares da retina movimenta US$ 15 bilhões. A empresa busca conquistar participação em um segmento cada vez mais competitivo, como demonstra a aprovação, no fim de julho, do Lytenava, da Outlook Therapeutics, para o tratamento da degeneração macular úmida relacionada à idade.
Após os mais recentes resultados clínicos, a Kodiak Sciences planeja apresentar um pedido de licença biológica para o Zenkuda no quarto trimestre, uma solicitação formal de aprovação regulatória para comercializar o medicamento. Se obtiver sucesso, o Zenkuda deixará de ser o ativo mais antigo do pipeline da empresa para se tornar seu primeiro produto comercial.
A força dos dados “nos posiciona para a próxima fase da evolução da Kodiak”, afirmou o CEO, Victor Perlroth, destacando que a companhia avança para comercializar o Zenkuda para degeneração macular úmida relacionada à idade, além de outras importantes doenças da retina.
Embora o ativo ainda esteja em testes clínicos, Perlroth classificou os resultados mais recentes do KSI-501 como “altamente encorajadores”. A empresa está avaliando sua eficácia em pacientes com edema macular diabético em um estudo de fase 3 em andamento. Dados decisivos de outro ativo em fase avançada, o KSI-101, são esperados para dezembro.
A Kodiak Sciences é especializada em tratamentos para doenças oculares e busca atuar sobre as causas da cegueira. O ano vinha sendo relativamente tranquilo para a ação, exceto por uma disparada de 70% em uma única sessão em março, após resultados positivos do Zenkuda em pacientes com retinopatia diabética.
O Goldman Sachs retomou a cobertura do setor de biotecnologia na semana passada, atribuindo recomendação neutra à Kodiak Sciences. Após o que classificou como uma “reestruturação de portfólio de vários anos”, a analista Andrea Newkirk observou que a empresa estava prestes a divulgar resultados “iminentemente”.
Na época, Newkirk afirmou que resultados positivos consolidariam os planos de submissão regulatória, mas seriam “improváveis de provocar uma movimentação significativa nas ações”. A tese mostrou-se claramente equivocada, já que os papéis dispararam para uma máxima de 52 semanas nesta segunda-feira.
Ainda assim, Newkirk vê potencial comercial limitado, observando que nenhum dos braços do estudo parece apto a conquistar uma vantagem competitiva significativa no mercado atual. Permanecem dúvidas sobre a durabilidade do Zenkuda, enquanto o KSI-501 necessitará de dados adicionais para obter aprovação regulatória.
Um ponto crucial é que o KSI-501 está sendo testado em um cronograma de aplicação a cada oito semanas. Igualar o desempenho do Eylea nesse intervalo oferece pouco valor adicional, escreveu Newkirk, já que o mercado já migrou para medicamentos com intervalos mais longos entre aplicações, como o Eylea HD e o Vabysmo, da Genentech.
Se a análise de Newkirk servir de indicação, parte de Wall Street foi pega de surpresa pela forte valorização desta segunda-feira. Embora a Kodiak Sciences tenha conquistado os investidores por enquanto, sua trajetória de longo prazo dependerá de sua capacidade de conquistar participação relevante de mercado frente a concorrentes já estabelecidos.
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Fonte: Valor Econômico