Enquanto o S&P 500 permanece estável no ano, as ações de mercados emergentes têm embarcado em um rali expressivo, com reflexos na bolsa brasileira. Os mercados começam a colocar em prática o que os “calls” de grandes bancos no fim do ano passado já indicavam: será um período positivo para as ações de mercados emergentes.
E é nesse sentido que os agentes continuam a esperar que o Ibovespa se aproveite dos fluxos globais, ainda que tenha renovado sucessivas máximas e que já não esteja tão barato quanto antes, ainda mais ao se observar que a NTN-B segue parada com taxas acima de 7% no longo prazo.
“Esse rali reflete nossa visão macro de crescimento global resiliente, favorecendo ativos cíclicos em detrimento dos defensivos, e um momento de melhora nos lucros dos mercados emergentes”, observam os estrategistas do Goldman Sachs em nota enviada a clientes, na equipe comandada por Kamakshya Trivedi.
Com esse favorecimento a ativos cíclicos, o mercado intensifica a alocação em mercados emergentes. Na prática, o próprio Ibovespa reflete esse movimento, ao renovar máximas nominais e operar acima dos 170 mil pontos. Claro, o ano promete ser bastante volátil, ainda mais com a eleição presidencial já batendo à porta, mas é notável observar que parte das projeções para o Ibovespa no fim do ano já começou a ser ultrapassada.
O movimento de rotação de portfólios segue ativo, apontou o chefe da mesa de operações de ações da Warren, Ricardo Maluf. Segundo ele, o volume do EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, tem se destacado entre os emergentes nas últimas sessões.
“Os outros [fundos de índice] não têm tanta liquidez. O universo investível é bem menor; portanto, mesmo que o volume aumente proporcionalmente, o EWZ acaba atraindo mais investidores pela sua capacidade”, ressalta o gestor. Ontem, o EWZ exibiu valorização de 4,16%, ficando atrás apenas do EWY (principal fundo de índice de ações da Coreia do Sul), que registrou avanço de 4,23%.
Ainda que a realocação de recursos para fora dos EUA tenha começado no ano passado e ganhado mais força recentemente, o “tsunami externo” deve prevalecer sobre fatores domésticos, como a incerteza fiscal e eleitoral, e pode até aumentar daqui para frente, avalia o gestor e sócio-fundador da Cardinal Partners, Marcelo Audi.
“Esse fluxo é de dois tipos: ETFs [fundos de índice] e de fundos mútuos. Durante 2025 e nesse começo de ano, o grosso do fluxo tem sido de ETF, mas o que se espera é que a gente comece a ver fluxo de fundos ativos”, diz Audi. “Por isso, a expectativa é que esse fluxo possa ser até mais forte do que no ano passado”, completa.
O movimento pode ser turbinado pela visão de que, cada vez mais, a América Latina parece ganhar relevância para o estrangeiro. Em relatório assinado pela chefe de estratégia de ações para as Américas do HSBC, Nicole Inui, o banco afirmou que mudanças estruturais na América Latina “com potencial para abrir espaço para um movimento de alta de vários anos”.
Para a casa, o potencial de valorização dos ativos está associado à queda das taxas de juros; à redução dos descontos de “valuation” das ações, ainda que elas permaneçam longe de níveis considerados caros; e ao fato de que os mercados acionários, antes dominados por estatais e commodities, vêm se tornando mais equilibrados.
Fonte: Valor Econômico
