7 Feb 2024
EDUARDO RODRIGUES CÉLIA FROUFE • COLABOROU MARIANNA GUALTER
Na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada ontem, o Banco Central afirma que “há a necessidade” de manutenção da atual política de juros mais altos para que haja o retorno da inflação à meta. “O comitê percebe a necessidade de se manter uma política monetária ainda contracionista pelo horizonte relevante para que se consolide a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas”, diz o documento. Na reunião da semana passada, houve novo corte de 0,50 ponto porcentual na Selic, que agora está em 11,25% ao ano.
Na ata, ainda, o colegiado enfatizou que a extensão do ciclo de cortes de juros ao longo do tempo dependerá da “evolução da dinâmica inflacionária”.
Na avaliação do economista-chefe da AZ Quest, Alexandre Manoel, a ata da reunião reforçou o tom de cautela, além da manutenção do ritmo de cortes de 0,50 ponto porcentual. O comitê, diz, não alterou a visão global sobre a economia, mas deu ênfase para algumas incertezas no cenário doméstico e internacional.
“Ele (Copom) se mostrou mais atento a alguns pontos que não tinham chamado a atenção na ata anterior. Em especial, no cenário doméstico, aos rendimentos reais, dando ênfase aos reajustes salariais e o impacto deles sobre a inflação de serviços”, afirma. “No cenário internacional, deu ênfase à condução da política monetária nos países desenvolvidos”, disse Manoel, que projeta a Selic em 9% no fim de 2024.
FISCAL. De acordo com a Ata do Copom, as expectativas de inflação seguem desancoradas e isso é um fator de preocupação. “O comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira.”
Em dois parágrafos distintos do documento, o BC voltou a destacar a importância da política fiscal para o seu trabalho. No 11.º, repetiu que, tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, é importante “a firme persecução dessas metas”.
Pouco antes, no 8.º parágrafo, havia reforçado a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, o que teria “impactos deletérios” sobre a política monetária.
AVALIAÇÃO. Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, a ata, assim como o comunicado divulgado logo após a reunião da semana passada, teve uma mensagem clara: o colegiado não alterou o curso da política monetária e isso parece distante de ocorrer. “São aspectos mais sobre como o afrouxamento irá terminar do que efetivamente um ‘guia’ para as próximas reuniões”, diz.
Sanchez atualizou seu cenário para a trajetória da Selic após o comunicado de janeiro, de taxa de 10,5% no fim do atual ciclo de cortes para 9,5%.
Fonte: O Estado de S. Paulo