A economia global se mostrou mais resistente do que o esperado em relação aos choques comerciais, em particular por conta da política de tarifas do presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (2) a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em seu relatório de perspectivas econômicas globais, a organização projeta um crescimento de 3,2% para a economia mundial este ano, puxada por políticas macroeconômicas favoráveis e melhora das condições financeiras, impulsionadas sobretudo pelo mercado de inteligência artificial (IA), o que ajudou a estabilizar a demanda.
Conforme a OCDE, porém, os efeitos das tarifas ainda não foram sentidos, apesar de se tornarem cada vez mais evidentes nos investimentos e no comércio mundiais.
O impacto das tarifas deverá afetar o crescimento econômico no curto prazo, mas deverão ser mitigados até o fim de 2026, segundo a OCDE.
Para o ano que vem, a projeção é de que a economia global desacelere para 2,9%, seguida de uma recuperação em 2027, com estimativa de 3,1%.
O relatório aponta que as economias emergentes da Ásia deverão puxar o crescimento global neste ano. A OCDE estima um crescimento de 6,7% para a Índia e 5% para China e Indonésia.
Para o Brasil, a organização prevê um crescimento de 2,4% para 2025, 1,7% em 2026 e 2,2% em 2027, acima de países como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Japão, mas abaixo da média do G20, cujo crescimento médio deverá ficar em torno de 3% nos próximos anos.
“A economia global tem se mostrado resiliente neste ano, apesar das preocupações com uma desaceleração mais acentuada devido ao aumento das barreiras comerciais e à significativa incerteza política. A atividade se manteve firme graças à antecipação da produção e do comércio, a investimentos robustos relacionados à IA e a políticas fiscais e monetárias favoráveis”, afirmou Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE.
A organização ressalta, porém, que o cenário global permanece fragilizado, especialmente por conta dos riscos de disrupção da cadeia de suprimentos global, além de vulnerabilidades fiscais que podem pressionar as condições financeiras e prejudicar o crescimento.
A OCDE também destaca os “sinais de enfraquecimento” do mercado de trabalho em alguns países.
“O diálogo construtivo entre países é central para garantir uma resolução duradoura das tensões comerciais e melhorar a perspectiva econômica”, aponta Cormann. “Os governos devem engajar-se produtivamente uns com os outros para tornar os acordos comerciais internacionais mais justos e eficientes, preservando os benefícios econômicos de mercados abertos e do comércio global baseado em regras”, acrescentou.
Fonte: Valor Econômico

