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O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que uma deterioração adicional das expectativas de inflação “pode levar a um prolongamento do ciclo de aperto de política monetária”. A ata da última reunião do comitê, que decidiu elevar a Selic de 10,75% para 11,25% ao ano, foi publicada nesta terça-feira.
De acordo com a ata, a desancoragem das expectativas de inflação é um “desconforto comum a todos os membros do Comitê”. Dessa forma, o comitê enfatizou que a reancoragem dessas expectativas “é um elemento essencial para assegurar a convergência da inflação para a meta ao menor custo possível em termos de atividade”.
O Copom ainda destacou que a condução da política monetária é um fator “fundamental” para a reancoragem das expectativas. Assim, de acordo com o documento, o comitê “continuará tomando decisões que salvaguardem a credibilidade e reflitam o papel fundamental das expectativas na dinâmica de inflação”.
O último relatório Focus, com as expectativas de mercado, mostrou uma elevação da mediana de projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2024, de 4,59% para 4,62%, para 2025, de 4,03% para 4,10%, e para 2026, de 3,61% para 3,65%. A meta para todos esses anos é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Na ata, o Copom também destaca que o cenário de curto prazo para a inflação se mostra mais desafiador. “Houve uma reavaliação dos preços de alimentos por diversos fatores, dentre eles a estiagem observada ao longo do ano”, diz o documento.
“Com relação aos bens industrializados, o movimento recente do câmbio pressiona preços e margens, sugerindo maior aumento em tais componentes nos próximos meses.”
Segundo o comitê, a inflação de serviços, que tem maior inércia, segue acima do nível compatível com o cumprimento da meta em contexto de atividade dinâmica. “De fato, tem se observado uma interrupção no processo desinflacionário, refletindo a redução de força dos diversos fatores que vinham contribuindo para a desinflação”, afirma a ata.
O Copom voltou a enfatizar que o mercado de trabalho, o hiato do produto (medida de ociosidade da economia) e as expectativas de inflação assumem papel muito relevante para a dinâmica desinflacionária de médio prazo.
“A inflação corrente, medida pelo índice cheio ou por diferentes medidas de núcleo, em níveis acima da meta, o dinamismo da atividade econômica, o hiato positivo, as expectativas desancoradas e a depreciação recente do câmbio tornam a convergência da inflação à meta mais desafiadora”, diz a ata.
Fonte: Valor Econômico