Por Bloomberg
31/08/2022 05h03 Atualizado há 4 horas
O Credit Suisse recomendou aos investidores que reduzam sua exposição a ações globais após o simpósio de Jackson Hole, onde os chefes de bancos centrais reforçaram seu compromisso de domar a inflação com taxas de juros mais altas.
A expectativa de uma reversão precoce do aperto monetário do Federal Reserve (Fed) e de outros grandes bancos centrais está agora fora de cogitação, disse em nota Michael Strobaek, diretor global de investimentos do banco europeu. Os mercados agora se deparam com a desaceleração do crescimento, riscos crescentes de recessão e inflação elevada, e “os próximos meses provavelmente serão dolorosos”, disse.
Operadores de renda variável em todo o mundo apostaram erroneamente que o Fed poderia sinalizar um abrandamento de seu aperto em Jackson Hole, o que levou a um rali de 13% no MSCI World Index entre sua mínima de junho e máxima de agosto. Após o presidente do Fed, Jerome Powell, apagar quaisquer esperanças remanescentes de uma mudança antecipada para uma política monetária mais frouxa na sexta-feira, as ações globais têm sofrido uma liquidação intensa.
A recomendação de exposição “underweight” (abaixo da média) do Credit Suisse representa o segundo rebaixamento em menos de um mês. O comitê de investimentos da instituição já havia cortado sua alocação de ações de “overweight” para “neutra” em 10 de agosto, após o rali de verão no hemisfério norte. O banco disse que decidiu reduzir sua recomendação porque as perspectivas para ações de mercados desenvolvidos e emergentes não estão atraentes.
Embora os próximos meses tendem a ser mais voláteis, Strobaek não aconselha os investidores a abandonarem totalmente as ações. Com a inflação próxima de 8% em muitos países, manter muito dinheiro em caixa significaria uma “perda garantida no poder de compra”, disse.
Em vez disso, o banco recomenda que os investidores mantenham ativos que possam se beneficiar no longo prazo ou títulos em moeda forte de mercados emergentes que ofereçam vantagem de rendimento substancial sobre dívidas de mercados desenvolvidos. “Acredito que estamos caminhando para ‘cair na real’ nos próximos meses”, disse o executivo. “Por enquanto, nos tranquiliza estarmos posicionados com mais cautela.”
Fonte: Valor Econômico

