A surpresa do mercado com o IPCA-15 de abril abaixo do esperado ajudou a acalmar os ânimos e, aos poucos, os juros futuros se afastaram das máximas do dia, ainda que sigam em alta firme. Isso, contudo, não reduz o desafio do Banco Central na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de amanhã.
Se, por um lado, o câmbio bem comportado é um fator que ajuda a mitigar parte das pressões inflacionárias, por outro a inflação corrente, as expectativas mais altas e a curva futura do petróleo tornam o cenário mais complexo para o Copom. Desde a reunião de março, houve um aumento da inflação “implícita”, das expectativas de curto e médio prazo no Focus, e, na manhã desta terça-feira, a curva futura do petróleo Brent opera pressionada — o contrato para dezembro já chegou a US$ 88,54 na máxima.
E, embora o IPCA-15 tenha ficado abaixo do esperado, há uma surpresa relevante em relação ao que o próprio Copom estimava um mês atrás.
No Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado em março, o BC projetava o IPCA de março em 0,33% e o de abril, em 0,42%. O número fechado do mês passado já é conhecido e ficou em 0,88%, enquanto o de abril caminha para um número mais salgado do que o projetado pelo BC, entre 0,6% e 0,7%, de acordo com as estimativas de algumas casas do mercado.
“É um caminho difícil para o BC”, diz o economista de um grande banco local, ao notar, em particular, para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária no momento em que a desancoragem das expectativas inflacionárias aumenta e em que a inflação corrente piora, o que pode reatroalimentar a dinâmica negativa no Focus. “É um jogo perigoso, já que há uma dificuldade das expectativas melhorarem enquanto a inflação corrente surpreende para cima”, alerta.
No mercado de opções, é dada como certa (93% de chance) uma redução de 0,25 ponto na Selic na reunião de amanhã. Em relação à decisão de junho, o mercado vê 51% de probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto; 26% de chance de a Selic ficar parada; e 21% de possibilidade de um corte mais agressivo no juro básico, de 0,5 ponto.
Fonte: Valor Econômico
